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Quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Alvin Hellerstein morre aos 92 anos antes de audiência de Maduro

A morte do juiz federal de Nova York leva à redistribuição do processo, cuja próxima audiência está marcada para 17 de novembro; Maduro alega imunidade.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Fachada de um tribunal federal em Manhattan, Nova York. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Fachada de um tribunal federal em Manhattan, Nova York.
Resumo em 30 segundos

Alvin K. Hellerstein morreu aos 92 anos enquanto conduzia o processo criminal contra Nicolás Maduro e Cilia Flores em Nova York. Os casos sob sua responsabilidade serão redistribuídos a outros magistrados. A próxima audiência está marcada para 17 de novembro, e a defesa de Maduro alega que ele tem imunidade como chefe de Estado.

O juiz federal Alvin K. Hellerstein, que conduzia em Nova York o processo criminal contra Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores, morreu nesta quarta-feira, aos 92 anos. Os casos sob sua responsabilidade, incluindo o de Maduro, serão distribuídos aleatoriamente a outros magistrados do Distrito Sul de Nova York, em Manhattan.

Hellerstein foi nomeado para o cargo em 1998 pelo então presidente Bill Clinton e atuou por quase três décadas no tribunal. Desde 2011, era juiz sênior, função que permite continuar julgando processos com carga de trabalho reduzida. Nascido em Nova York, em 1933, ele também serviu no Corpo de Advogados do Exército dos Estados Unidos e trabalhou no setor privado antes de chegar à magistratura.

O processo contra Maduro trata de acusações de narcoterrorismo, tráfico de drogas e crimes relacionados a armas. Maduro e Flores se declararam inocentes na primeira audiência, realizada após serem levados aos Estados Unidos, em janeiro. A acusação ampliada incluiu Flores no caso; ela também é acusada de envolvimento com narcotráfico e de tortura. Hellerstein negou o pedido para que ela aguardasse o julgamento em liberdade, afirmando: “Prisão não é um lugar agradável para se estar. Mas são acusações graves.”

A morte do magistrado ocorre antes da próxima audiência, marcada para 17 de novembro. Entre as questões ainda pendentes está a alegação da defesa de Maduro de que ele tem imunidade por ser chefe de Estado estrangeiro. A mudança de juiz pode exigir que o novo magistrado se familiarize com as provas e os argumentos já apresentados, mas não altera, por si só, as acusações do processo.

Hellerstein também esteve à frente de ações de indenização relacionadas aos atentados de 11 de setembro de 2001, em Nova York. Antes de ser juiz, representou a Cantor Fitzgerald, empresa que perdeu 658 funcionários no ataque ao World Trade Center. Familiares de vítimas buscavam um julgamento que obrigasse companhias aéreas a revelar como suas políticas permitiram que os sequestradores embarcassem; as partes chegaram a acordos confidenciais, sem que o julgamento ocorresse.

O magistrado era conhecido por reservar audiências de sentença para sextas-feiras, para refletir sobre as decisões durante o shabat, o descanso semanal judaico. Colegas e antigos advogados o descreveram como atento e empático. Em alguns julgamentos, ele próprio fazia perguntas a testemunhas para agilizar os trabalhos.

Além do caso de Maduro, Hellerstein conduzia o processo contra Hugo Armando “Pollo” Carvajal, ex-chefe da inteligência militar venezuelana. Carvajal se declarou culpado de quatro acusações relacionadas a narcotráfico e apoio a organizações terroristas e decidiu cooperar com as autoridades americanas; seu depoimento é apontado como relevante para o julgamento de Maduro.

Para entender

Juiz sênior
Nos tribunais federais dos Estados Unidos, um juiz sênior é um magistrado que, após cumprir os requisitos legais, pode continuar atuando com uma carga de trabalho reduzida. Essa condição não significa que tenha deixado de julgar processos.

Fontes: Folha de S.Paulo, O Globo, Gazeta do Povo

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