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Sábado, 24 de outubro de 2026

Jerry Seinfeld ironiza protesto contra Gaza durante show em Chicago

A interrupção ocorreu em 9 de outubro, quando uma espectadora o acusou de fazer piada enquanto palestinos morriam; o comediante respondeu com sarcasmo.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Microfone em um palco de teatro iluminado, com a plateia ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Microfone em um palco de teatro iluminado, com a plateia ao fundo.
Resumo em 30 segundos

Jerry Seinfeld interrompeu uma apresentação no Chicago Theatre após uma espectadora protestar contra suas posições sobre Israel e Gaza. O comediante respondeu com ironia, e a segurança retirou a mulher. O episódio se soma a outros protestos em shows e ocorre antes da apresentação prevista para 1º de novembro, em Lisboa.

Jerry Seinfeld interrompeu uma apresentação no Chicago Theatre, em Chicago, na noite de 9 de outubro, depois que uma espectadora o acusou aos gritos de fazer piada enquanto palestinos morriam com dinheiro dos contribuintes dos Estados Unidos. O comediante respondeu com ironia e seguiu o show após a retirada da mulher pela segurança. O episódio ocorreu em meio a protestos contra as posições públicas de Seinfeld sobre Israel e Gaza, que se intensificaram desde os ataques do Hamas, em 7 de outubro de 2023.

Durante a interrupção, Seinfeld disse que descobriria quanto um dos manifestantes havia pago pelo ingresso e que doaria o valor a Israel. Em seguida, afirmou que ficaria com o dinheiro, provocando aplausos. Enquanto a segurança retirava a espectadora, ele dançou e ironizou: “Sou racista. É um genocídio, eu curto.” A frase circulou nas redes sociais sem o contexto da interrupção.

O episódio em Chicago se soma a uma série de confrontos entre o comediante e manifestantes que cobram dele posicionamentos sobre a guerra. Seinfeld, que tem 72 anos, declarou apoio a Israel dois dias depois dos ataques do Hamas, com a mensagem “I Stand With Israel” (“Eu apoio Israel”) publicada no Instagram. Em dezembro de 2023, viajou ao país com a mulher, Jessica, para se encontrar com sobreviventes e famílias de reféns.

Ao falar sobre a viagem no podcast Honestly, da jornalista Bari Weiss, Seinfeld a descreveu como “a experiência mais poderosa da minha vida”. Na mesma conversa, gravada em maio de 2024, comentou os protestos contra ele e disse achar graça na tentativa de jovens de se envolverem com política. “Só precisamos corrigir um pouco a mira deles”, afirmou. “Eles querem expressar essa raiva sincera e intensa, mas acertam um pouco fora do alvo. Isso, para mim, é cômico.”

Em maio daquele ano, dezenas de formandos da Universidade Duke deixaram a cerimônia de formatura aos gritos de “Palestina livre”. Seinfeld era o paraninfo do evento. Em junho, durante uma apresentação em Sydney, na Austrália, um homem interrompeu o show com o grito “do rio ao mar, a Palestina será livre”. O comediante respondeu: “Temos um gênio, senhoras e senhores. Ele resolveu o Oriente Médio!”

Uma semana depois, em Melbourne, Seinfeld voltou a se dirigir a um manifestante. “Você e eu estamos no mesmo ramo. Nosso trabalho é fazer as pessoas verem as coisas do jeito que a gente vê”, disse. “O problema é que você está no lugar errado.” Em setembro de 2025, ele retornou à Universidade Duke sem anúncio prévio para apresentar Omer Shem Tov, ex-refém, em um evento do movimento judaico ortodoxo Chabad, aberto a estudantes e funcionários.

Segundo o jornal estudantil The Chronicle, Seinfeld brincou com a palavra “livre” do slogan “Palestina livre” e comparou o movimento a favor da Palestina à Ku Klux Klan. Um estudante judeu disse à emissora ABC11 que ficou “sinceramente nauseado” com a comparação. O episódio gerou críticas, enquanto as manifestações em apresentações do comediante continuaram.

A trajetória de Seinfeld inclui declarações anteriores sobre o que considera limites à comédia. Em 2015, afirmou que jovens estavam usando termos como racismo e sexismo sem saber do que falavam e disse ouvir conselhos para evitar universidades por serem politicamente corretas. Em abril de 2024, ao promover o filme A Batalha do Biscoito Pop-Tart, atribuiu a redução da comédia na televisão à “extrema esquerda” e ao receio de ofender.

Seis meses depois, no podcast Breaking Bread, do comediante Tom Papa, voltou atrás na afirmação de que a esquerda havia sufocado a comédia. “Eu disse que a ‘extrema esquerda’ tinha sufocado a arte da comédia. Disse mesmo. E não é verdade”, afirmou. “Estou retirando isso agora, oficialmente.” Ele comparou o trabalho do humorista a um esquiador que precisa passar por obstáculos e disse que a comédia pode funcionar em qualquer cultura.

Seinfeld também afirmou no mesmo podcast que se apresenta em universidades e questionou a importância dada às opiniões de comediantes. “Eu achava que a graça de ser comediante era poder dizer o que desse na telha”, disse. “Ninguém está ouvindo, ninguém se importa, e, se a piada funcionar, você ganha o direito de fazer outro show amanhã.”

A passagem por Chicago antecede a apresentação prevista para 1º de novembro em Lisboa, no festival MEO Commedia a La Carte Fest. O evento foi criado pelo grupo de improviso Commedia a La Carte para celebrar seus 25 anos e ocupa salas da capital portuguesa entre 29 de outubro e 1º de novembro. A participação de Seinfeld, anunciada em abril como sua estreia em Portugal, provocou a saída de artistas portugueses que criticaram sua postura sobre a guerra.

A atriz Inês Aires Pereira retirou o espetáculo Namastê do festival, dizendo nas redes sociais que um artista do evento defendia ideias e atos que considerava indefensáveis e que não se deveria “relativizar ou normalizar um genocídio”. A dupla Cebola Mol também anunciou a saída, com uma imagem de uma melancia, símbolo de solidariedade aos palestinos. Outros artistas permaneceram na programação, afirmando que o público comprou ingressos para apresentações de comédia. O show de Seinfeld na MEO Arena estava marcado para o último dia do festival, com ingressos entre 60 e 250 euros e setores já esgotados.

Fontes: Gazeta do Povo

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