Polícia Civil apreende armas de PMs após morte de secretário
A medida integra a investigação da Delegacia de Homicídios da Capital; Jefferson foi baleado na noite de segunda-feira, após abordagem na Avenida Brasil.
Resumo em 30 segundos
A Polícia Civil determinou a apreensão das armas dos policiais militares envolvidos na abordagem que terminou com a morte de Jefferson Dias da Silva, secretário de Queimados. O governador em exercício afastou os agentes. A Delegacia de Homicídios analisa imagens das câmeras corporais, enquanto a Corregedoria da PM também apura a conduta dos policiais.
A Polícia Civil determinou a apreensão das armas dos policiais militares envolvidos na abordagem que terminou com a morte de Jefferson Dias da Silva, secretário de Desenvolvimento Econômico de Queimados e ex-vereador do município. Ele foi baleado na noite de segunda-feira, na Avenida Brasil, na altura de Bonsucesso, na Zona Norte do Rio. O governador em exercício, Ricardo Couto, afastou os agentes envolvidos.
A ocorrência começou por volta das 20h, quando policiais do 22º Batalhão de Polícia Militar (BPM), responsável pela região da Maré, receberam pelo rádio informações sobre um BYD branco em movimentação considerada suspeita. Os agentes localizaram o carro e afirmaram que o motorista não atendeu às ordens para parar, desligar o motor e sair do veículo.
Segundo os policiais, tiros foram ouvidos perto do acesso à comunidade Nova Holanda. A equipe disse ter atirado contra um dos pneus e iniciou uma perseguição depois que o carro seguiu adiante. Os agentes relataram que o veículo passou por dois pontos de bloqueio e só foi interceptado perto da passarela 14, após o motorista perder o controle e bater em uma mureta.
Os policiais afirmaram que Jefferson tentou dar marcha à ré e que fizeram novos disparos contra os pneus. Um dos PMs declarou ter disparado sete vezes com um fuzil por perceber uma situação de perigo. Outra equipe que prestou apoio relatou ter ouvido tiros perto do ponto em que o carro foi parado. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram disparos contra o veículo e registram comentários de pessoas que aparentam acompanhar a ação.
A família contesta aspectos da abordagem e afirma que a viatura era descaracterizada e estava com o giroflex desligado. A esposa de Jefferson contou à polícia que recebeu uma ligação dele dizendo que estavam brigando com ele, mas não entendeu o que ocorria. Os parentes suspeitam que ele seguia pela Avenida Brasil em direção à Baixada Fluminense, onde vivem os pais.
Jefferson morava na Barra da Tijuca e era conhecido como Jefferson da Linave. A família informou que ele era casado e tinha uma filha de 13 anos. A viúva prestou depoimento, assim como os policiais envolvidos; um frentista de um posto próximo também foi ouvido, segundo familiares.
A Delegacia de Homicídios da Capital investiga o caso. A perícia foi feita no local, e imagens das câmeras corporais dos policiais estão sendo analisadas. A Polícia Militar abriu procedimento pela Corregedoria-Geral para apurar a conduta dos agentes e informou que colabora com a investigação civil.
Em nota, o governo estadual afirmou que a apuração deve ser rigorosa, rápida e transparente e que acompanhará o caso. A Prefeitura de Queimados também divulgou nota de pesar e manifestou solidariedade à família. A apreensão das armas permite que elas sejam examinadas como parte da investigação sobre os disparos e as circunstâncias da morte.