JD Vance perde força na disputa republicana pela sucessão de Trump
A derrota republicana nas eleições de meio de mandato dos EUA, atribuída por Vance à guerra no Irã, abriu espaço para outros nomes na corrida de 2028.
Resumo em 30 segundos
A derrota dos republicanos nas eleições legislativas dos Estados Unidos enfraqueceu a posição de JD Vance, até então considerado favorito à indicação do partido para 2028. Marco Rubio, Ron DeSantis e Ted Cruz aparecem entre possíveis concorrentes. No campo democrata, a vitória de Jon Ossoff ampliou especulações sobre uma candidatura.
A derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira, enfraqueceu a posição do vice-presidente JD Vance na disputa pela indicação do partido à Presidência em 2028. Até então considerado favorito, Vance fez campanha ao lado de Donald Trump e agora enfrenta o desafio de se diferenciar de um presidente associado ao revés eleitoral e à impopular guerra no Irã.
Vance, de 42 anos, percorreu estados-pêndulo em comícios para apoiar candidatos republicanos. Na quarta-feira, publicou uma longa mensagem no X na qual atribuiu o resultado à guerra. A tentativa de se afastar da condução de Trump pode ser difícil: vice-presidentes em exercício raramente chegam à Presidência, observou James Lindsay, do Council on Foreign Relations.
A eleição legislativa ocorre no meio do mandato presidencial, mas também serve como termômetro para o governo e pode projetar nomes para a disputa seguinte. O resultado de terça-feira abalou a coalizão Make America Great Again (MAGA), que apoiou Trump em 2016 e 2024, e abriu espaço para outros republicanos se posicionarem como possíveis sucessores.
Entre eles estão o secretário de Estado, Marco Rubio, que manteve perfil discreto durante a campanha, e o governador da Flórida, Ron DeSantis. Depois da vitória democrata, DeSantis descreveu o resultado como “o equivalente político à queda de um meteorito” e afirmou que os republicanos só conseguiram conter a oposição em seu estado. O senador do Texas Ted Cruz também deixou aberta a possibilidade de disputar a indicação, embora as vitórias democratas no Senado e no governo estadual possam afetar suas perspectivas.
Qualquer integrante de alto escalão do governo Trump terá de lidar com a associação à guerra no Irã. O conflito, além de ter sido citado por Vance como fator eleitoral, tornou-se um ponto de desgaste para o presidente e para integrantes de sua administração.
Do lado democrata, a reeleição do senador Jon Ossoff, da Geórgia, fortaleceu as especulações sobre uma possível candidatura presidencial. Aos 39 anos, ele afirmou não ter “nenhum interesse em concorrer à presidência”, mas sua vitória expressiva e o discurso após o resultado ampliaram sua visibilidade dentro do partido.
A ex-vice-presidente Kamala Harris, de 62 anos, era considerada favorita à indicação antes da votação, mas enfrenta a avaliação de parte dos democratas de que o partido deveria escolher alguém sem um histórico de derrotas. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, de 59 anos, também é citado como opção. Ele tem confrontado Trump publicamente, mas pode ser visto como representante da estrutura tradicional do partido.
A congressista de Nova York Alexandria Ocasio-Cortez, que declarou em setembro estar avaliando uma candidatura, é outra possibilidade. Sua eventual indicação poderia dividir o partido. A disputa pela sucessão ainda está distante: as eleições de meio de mandato não escolhem candidatos presidenciais, mas podem alterar a força política dos nomes que buscarão a indicação em 2028.