Jason Miller organiza voo que levou Flávio Bolsonaro aos EUA
Autoridades americanas dizem que o senador e a família entraram no país com parole, uma admissão temporária, após deixarem o Brasil pela Argentina.
Resumo em 30 segundos
Jason Miller, funcionário de comunicações da Casa Branca ligado a Donald Trump, teria providenciado o jato particular que levou Flávio Bolsonaro e a família a Miami. O senador entrou nos Estados Unidos com autorização temporária de admissão condicional, após cruzar a fronteira com a Argentina. A Polícia Federal investiga o descumprimento da ordem de entrega dos passaportes.
O funcionário de comunicações da Casa Branca Jason Miller teria providenciado o jato particular que levou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e sua família aos Estados Unidos, após a derrota dele na eleição presidencial de domingo. A viagem terminou em Miami na quarta-feira, e autoridades americanas disseram que o senador entrou no país com autorização de admissão condicional, conhecida como “parole”.
Segundo informações atribuídas a autoridades americanas, o plano foi colocado em prática na segunda-feira, depois que Flávio recebeu ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar os passaportes. Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, manteve contato com Miller sobre a logística da viagem. Flávio não entregou os documentos no prazo; eles foram cancelados, e a Polícia Federal (PF) emitiu um alerta migratório.
O senador cruzou por terra a fronteira entre o Brasil e a Argentina na noite de terça-feira, acompanhado da esposa e das duas filhas, segundo a Direção Nacional de Migrações argentina. De lá, a família seguiu em um avião particular, com escala em Guayaquil, no Equador, antes de chegar a Miami. A PF brasileira afirmou não ter registro oficial da saída e disse investigar as circunstâncias relacionadas ao descumprimento da ordem judicial. A corporação também ressaltou que as restrições não significavam, por si só, que Flávio fosse fugitivo ou que pudesse ser preso.
O governo dos Estados Unidos informou que Flávio e os familiares foram inspecionados pela Alfândega e Proteção de Fronteiras e liberados conforme os procedimentos migratórios. A admissão condicional permite a entrada temporária por razões humanitárias urgentes ou por benefício público significativo; não equivale, por si só, a residência permanente. Uma autoridade americana disse que o senador poderá solicitar um green card, documento de residência permanente, e que o pedido seria processado rapidamente.
Miller é ligado ao Partido Republicano e ao presidente Donald Trump, além de ter participado de agendas políticas relacionadas ao bolsonarismo no Brasil. Ele também criticou nas redes sociais a atuação de Moraes em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Miller não comentou o caso, e a Casa Branca remeteu a declarações públicas de Trump.
Na quinta-feira, Trump chamou a eleição brasileira de “uma vergonha”, mas disse que não tomou partido, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também afirmou que parabenizaria Lula. Flávio, por sua vez, disse em publicação nas redes sociais que deixou o Brasil por perseguição política e se apresentou inicialmente como “presidente eleito”, antes de alterar a expressão para “líder do Brasil”.
A eleição foi decidida por uma margem de 4,4 milhões de votos, e observadores internacionais independentes atestaram sua integridade, segundo as informações divulgadas sobre o pleito. Flávio não foi formalmente acusado de crime, mas é alvo de investigações. A ordem de entrega dos passaportes foi relacionada a uma apuração sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e vínculos com um advogado investigado.
Para entender
- Parole
- Nos Estados Unidos, parole é uma autorização temporária de entrada concedida caso a caso por razões humanitárias urgentes ou por benefício público significativo. Não equivale a um visto nem concede, por si só, residência permanente; a pessoa admitida permanece sujeita às regras migratórias aplicáveis.