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Quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Itaú vê mercado à espera de ministro da Fazenda e planos de Lula

Durante teleconferência de resultados, Milton Maluhy Filho disse que investidores esperam propostas econômicas concretas e alertou para inflação e juros restritivos.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Milton Maluhy Filho fala em uma conferência corporativa. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Milton Maluhy Filho fala em uma conferência corporativa.
Resumo em 30 segundos

O presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, afirmou que investidores aguardam a definição do ministro da Fazenda e das diretrizes econômicas após a reeleição de Lula. Ele defendeu a recuperação do grau de investimento, alertou para pressões inflacionárias em 2027 e disse que os juros devem permanecer restritivos por mais tempo.

O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, afirmou nesta quarta-feira que o mercado aguarda a definição de quem comandará o Ministério da Fazenda e quais serão as diretrizes econômicas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva após a reeleição. Em teleconferência sobre os resultados do terceiro trimestre, ele disse que investidores esperam propostas concretas e avaliou que o país deve buscar recuperar o grau de investimento.

“O mercado, por definição, ele não tem partido, né? Ele olha pra propostas concretas”, declarou Maluhy. O grau de investimento é uma classificação concedida por agências de risco a países considerados capazes de honrar suas dívidas. Sua recuperação pode ampliar o acesso a recursos e reduzir o custo de financiamento, afirmou o executivo.

Maluhy disse que ainda há especulações sobre possíveis mudanças na política fiscal, mas não apresentou propostas definidas. Para ele, as decisões econômicas precisam equilibrar as contas públicas e as políticas sociais. O executivo também apontou pressões inflacionárias previstas para 2027, relacionadas, entre outros fatores, à desvalorização cambial, aos combustíveis, à reforma tributária e a mudanças na jornada de trabalho.

O presidente do Itaú alertou contra uma redução rápida dos juros sem condições que sustentem a queda. Segundo ele, tentar baixar as taxas de curto prazo “na força bruta” poderia elevar os juros de longo prazo, caso aumentasse a percepção de risco sobre a economia. Mais de 70% das instituições consultadas pelo mercado esperavam uma pausa nos cortes na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira, afirmou.

Na avaliação de Maluhy, as taxas devem continuar em nível restritivo por um período prolongado, diante das pressões sobre os preços. Ele citou projeções de inflação próximas de 6% em 2027 e disse que controlar a alta dos preços é necessário para viabilizar uma redução estrutural dos juros. O Copom é o colegiado do Banco Central responsável por definir a taxa básica de juros, a Selic.

Sobre o Desenrola 3, programa federal que prevê a compra de dívidas vencidas registradas nos balanços dos bancos, Maluhy disse que o Itaú está avaliando as regras. O banco participou das edições anteriores e pretende integrar a nova etapa, mas, segundo o executivo, o impacto nos resultados deve ser imaterial. Ele afirmou que a instituição analisa o programa considerando o que pode beneficiar os clientes.

Maluhy também disse que a venda de carteiras de crédito não é feita para melhorar os indicadores de atraso. Segundo ele, o banco divulga os números com e sem essas operações e, neste trimestre, vendeu um volume pequeno de carteiras ainda ativas. As carteiras maiores, acrescentou, já haviam sido baixadas a prejuízo.

Para 2026, o Itaú espera que a receita de serviços e seguros cresça perto do piso da faixa prevista em suas projeções. Maluhy relacionou a expectativa à atividade mais lenta, à fraqueza do mercado de capitais e à volatilidade, que afetam receitas de gestão de recursos, assessoria financeira e corretagem. O segmento de seguros, por outro lado, mantém desempenho favorável, especialmente nas parcerias entre bancos e seguradoras.

O executivo afirmou que o Itaú mantém a estratégia de atuar como banco regional na América Latina e que avalia oportunidades de investimento com disciplina na alocação de capital. Citou operações relevantes no Uruguai, Paraguai, Chile e Colômbia. Sobre a liquidação do ueno bank, no Paraguai, declarou que o Itaú nunca teve relação comercial com a instituição.

Maluhy também disse que a eleição abre espaço para retomar com o governo a discussão sobre a tributação em bases universais, modelo recomendado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo ele, a estrutura tributária brasileira desestimula investimentos de empresas multinacionais do país em operações no exterior.

Fontes: Valor Econômico

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