Midterms dos EUA deixam investidores cautelosos em Wall Street
A votação de meio de mandato ocorreu na terça-feira, 3 de novembro, e pode mudar o controle do Congresso; as bolsas fecharam em direções opostas.
Resumo em 30 segundos
A possibilidade de os democratas conquistarem a Câmara e o Senado dos Estados Unidos gerou cautela nos mercados. O Nasdaq e o S&P 500 subiram, enquanto o Dow Jones caiu. Os juros dos títulos do Tesouro avançaram, e o petróleo recuou. Analistas divergem sobre os efeitos do resultado para ações, juros e gastos públicos.
Os investidores acompanharam com cautela, nesta terça-feira, os resultados das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, as midterms de 2026. A disputa pode alterar o controle do Congresso e definir o ambiente político para os dois anos finais do mandato do presidente Donald Trump, mas os efeitos sobre os mercados financeiros ainda são incertos.
A expectativa de uma vitória democrata na Câmara dos Representantes e possivelmente no Senado dividiu os agentes do mercado. A perda da maioria republicana na Câmara era considerada provável, enquanto a disputa pelo Senado era mais apertada: os democratas buscavam ampliar seus 45 assentos para pelo menos 51, número que lhes daria maioria.
As midterms são eleições realizadas no meio do mandato presidencial para renovar cargos legislativos federais. O resultado pode mudar o equilíbrio de poder no Congresso, que tem papel central na aprovação de leis e decisões sobre gastos e políticas públicas. Uma maioria democrata em uma ou nas duas casas poderia limitar a capacidade de Trump de avançar sua agenda.
Em Wall Street, a recuperação das ações de tecnologia ajudou a sustentar os principais índices, depois de ajustes de posições nos últimos dias. O Nasdaq subiu 0,83%, para 25.372,01 pontos, e o S&P 500 avançou 0,37%, aos 7.568,96 pontos. O Dow Jones, por sua vez, recuou 0,38%, para 51.787,04 pontos. O setor de tecnologia teve alta de 1,31%, embora o resultado trimestral da Apple, abaixo do esperado, tenha limitado o otimismo.
Os juros dos títulos do Tesouro americano subiram. A taxa da T-note de dois anos avançou a 4,631%, ante 4,606% no ajuste anterior, enquanto a de cinco anos passou de 4,909% para 4,963%. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de moedas fortes, teve alta de 0,12%, aos 101,86 pontos.
Uma eventual “onda azul”, com os democratas no comando das duas casas do Congresso, pode influenciar a política fiscal, os juros de longo prazo e as regras para a expansão da infraestrutura de inteligência artificial (IA). Estrategistas do Citi avaliam que uma vitória democrata nas duas casas não seria surpreendente e poderia ampliar subsídios à saúde e adiar cortes no setor. Nesse cenário, Trump poderia concentrar os dois anos restantes do mandato nas políticas comercial e externa.
O Citi prevê que, em caso de vitória democrata ampla, investidores poderiam exigir retornos maiores nos títulos de longo prazo por causa de riscos fiscais. O banco também aponta a possibilidade de mudanças nas projeções para regras e salvaguardas relacionadas à infraestrutura de IA, com reflexos sobre as ações americanas. As avaliações, porém, variam entre os participantes do mercado.
A gestora Nuveen considera que os ativos tendem a se estabilizar rapidamente após a votação e que as ações podem registrar retornos expressivos nos 12 meses seguintes, fora de períodos de forte estresse financeiro. Para a gestora, um Congresso dividido poderia limitar a expansão fiscal e aliviar a pressão sobre os juros de longo prazo. O desempenho das ações também dependerá dos resultados das empresas e do retorno dos investimentos em IA, enquanto os títulos são mais sensíveis à inflação e às contas públicas.
No mercado de energia, o petróleo oscilou em meio a notícias e declarações sobre a atuação dos Estados Unidos no Oriente Médio. O Brent para entrega em janeiro caiu 1,12%, a US$ 103,60 por barril, e o WTI para dezembro recuou 0,38%, a US$ 96,09. Donald Trump disse à Fox que os Estados Unidos cortarão o financiamento a Israel até o fim do ano.