Israel realiza eleições parlamentares sob pressão sobre Netanyahu
Pesquisa projeta 23 cadeiras para o Yashar, de Gadi Eisenkot, e 21 para o Likud; nenhum dos blocos previstos alcançaria os 61 assentos necessários para formar maioria.
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Os israelenses votam nesta terça-feira para eleger os 120 integrantes do Knesset, no primeiro pleito nacional desde os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023. A disputa ocorre em meio a preocupações com a economia, a segurança e o serviço militar. Pesquisas indicam que nenhum bloco deve obter maioria sozinho.
Israel realiza nesta terça-feira (27) eleições para escolher os 120 integrantes do Knesset, o Parlamento do país, no primeiro pleito nacional desde os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023. A disputa opõe o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, líder do Likud, a uma oposição fragmentada, na qual Gadi Eisenkot, fundador do partido Yashar, aparece como principal concorrente.
A votação ocorre após três anos de guerra em Gaza e confrontos com o Líbano e o Irã. Entre as questões que pesam para os eleitores estão o custo de vida, a segurança, a responsabilização pelas falhas que permitiram o ataque de 7 de Outubro e a dispensa do serviço militar para homens ultraortodoxos. Também permanecem em debate a reforma do Judiciário e a polarização política.
Uma pesquisa divulgada pelo Canal 12 na sexta-feira (23) apontou a economia e o custo de vida como a principal preocupação de 21% dos entrevistados. O alistamento militar e a igualdade de obrigações foram citados por 17%; as falhas de segurança no ataque, por 14%; a segurança pública, por 13%; e a guerra com o Irã, por 10%. A reforma judicial e a polarização apareceram com 9% e 8%, respectivamente.
As prioridades variam conforme a identificação política. Entre os eleitores da oposição, 28% indicaram as falhas de 7 de Outubro como principal preocupação, seguidas pelo serviço militar, com 27%. Entre os apoiadores do governo, a guerra com o Irã liderou, com 21%, enquanto economia e reforma judicial registraram 18% cada.
Netanyahu, que ocupa o cargo de premiê há mais de 19 anos no total, tenta continuar à frente do Likud, partido de direita que governa desde dezembro de 2022 em coalizão com legendas religiosas e de extrema direita. A isenção militar dos ultraortodoxos provocou tensões e rupturas na aliança. O primeiro-ministro também enfrenta críticas pela resposta ao ataque do Hamas e é réu em um julgamento por corrupção; ele nega irregularidades.
Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, criou o Yashar em 2025. Após 41 anos de carreira militar, participou como observador do gabinete de guerra de Netanyahu, mas deixou a função oito meses depois, por discordar da condução do conflito. Ele perdeu um filho e dois sobrinhos nos combates em Gaza. A oposição ao projeto de isenção do serviço militar é uma das bandeiras de seu partido.
A oposição inclui também Naftali Bennett e Yair Lapid, que estão juntos no B'Yachad, além de Avigdor Lieberman, do Yisrael Beiteinu, e Yair Golan, dos Democratas. Os quatro partidos firmaram um acordo de cooperação para tentar afastar Netanyahu, mas mantêm diferenças que podem dificultar a formação de um governo. A aliança não equivale a uma frente favorável à paz: as divergências com o premiê se concentram mais na condução política e diplomática dos conflitos do que nos objetivos de segurança, segundo o cientista político Karabekir Akkoyunlu, professor visitante na Universidade Federal de Minas Gerais e pesquisador associado à Universidade de Oxford.
Os israelenses não votam diretamente para escolher o primeiro-ministro. Eles votam em listas partidárias, e as cadeiras são distribuídas proporcionalmente entre as que superam 3,25% dos votos, a chamada cláusula de barreira. Para obter maioria absoluta no Knesset, um partido ou coalizão precisa reunir ao menos 61 dos 120 parlamentares; nenhum partido conseguiu governar sozinho com essa quantidade de assentos.
Na última pesquisa do Canal 12 antes da eleição, o Yashar aparece com projeção de 23 cadeiras, ante 21 do Likud. Os partidos sionistas de oposição somariam 56 assentos, enquanto os aliados de Netanyahu ficariam com 50; as listas árabes teriam os 14 restantes. Nenhum dos dois blocos alcançaria sozinho os 61 lugares necessários. O levantamento também indica que 44% preferem Eisenkot como primeiro-ministro, contra 38% que apoiam a permanência de Netanyahu.
As legendas menores podem, por isso, ser decisivas nas negociações. Na coalizão atual, os ultraortodoxos e os partidos de extrema direita dos ministros Itamar Ben-Gvir, da Segurança Nacional, e Bezalel Smotrich, das Finanças, têm influência sobre a formação do governo. Do lado árabe, as projeções dão 14 cadeiras à Lista Conjunta e ao Ra'am, mas Eisenkot rejeita uma coalizão com esses partidos.
A Lista Conjunta, liderada por Yousef Jabareen, prioriza a questão palestina. O Ra'am, de Mansour Abbas, também enfatiza demandas locais, como o combate à criminalidade. Segundo o Canal 12, 65% dos eleitores dos partidos árabes apontam a segurança pública e o enfrentamento da violência como fator central para o voto; 24% citam a economia. Cidadãos árabes de Israel podem votar, ao contrário dos palestinos sem cidadania israelense que vivem em Gaza e na Cisjordânia ocupada.
Abbas já participou de negociações com partidos sionistas: em 2021, o Ra'am integrou o governo de Bennett e Lapid, que substituiu Netanyahu até 2022. Nas últimas semanas, o líder afirmou à agência AFP que uma nova vitória do premiê seria uma “catástrofe” e descartou apoiá-lo. Uma possibilidade discutida é que partidos árabes deem apoio externo a um governo minoritário, sem integrar formalmente a coalizão.
Depois da votação, o presidente Isaac Herzog consultará os partidos e indicará um parlamentar para tentar formar governo. O escolhido não precisa liderar a lista mais votada e terá 28 dias para concluir a tarefa, com possibilidade de prorrogação por até 14. Se não conseguir, a legislação prevê novas tentativas antes de uma eventual eleição. O governo atual permanece no poder até que uma nova administração obtenha voto de confiança no Parlamento.