Ronen Bar processa Netanyahu por declarações sobre o 7 de outubro
O ex-chefe do Shin Bet pede três milhões de shekels e afirma que o premiê foi avisado sobre possíveis ameaças do Hamas antes do ataque.
Resumo em 30 segundos
Ronen Bar entrou com uma ação por difamação contra Binyamin Netanyahu, pedindo três milhões de shekels, cerca de R$ 4,8 milhões. O ex-chefe do Shin Bet afirma que alertou o premiê sobre ameaças do Hamas antes do ataque de 7 de outubro de 2023. Netanyahu sustenta que não recebeu avisos e questiona por que Bar não ligou diretamente para ele.
Ronen Bar, ex-chefe do serviço de segurança interna de Israel, entrou nesta quarta-feira (14) com uma ação por difamação contra o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. Bar afirma que o premiê mentiu ao dizer que não havia sido informado sobre ameaças do Hamas antes do ataque de 7 de outubro de 2023, em Israel.
Na ação, apresentada a duas semanas das eleições legislativas israelenses de 27 de outubro, Bar pede indenização de três milhões de shekels, cerca de R$ 4,8 milhões. Ele anexou documentos ao processo e afirma que Netanyahu fez acusações que sabia serem falsas para afastar o debate sobre a própria responsabilidade nos acontecimentos.
Netanyahu sustenta que não recebeu alertas. O primeiro-ministro também criticou comandantes do Exército e do Shin Bet por não o terem acordado na madrugada do ataque. Segundo ele, a situação poderia ter sido diferente se tivesse sido avisado.
Bar diz que telefonou para o assessor militar de Netanyahu antes do ataque, mas afirma que não tinha o número direto do premiê. Em reação à ação, Netanyahu foi citado pelo partido Likud questionando por que o ex-chefe do Shin Bet não ligou para ele diretamente. “Você tinha meu número da linha vermelha e podia me telefonar imediatamente, como fazem todos os chefes dos serviços de segurança”, disse. Ele acrescentou: “Quantas vidas poderíamos ter salvo se você só tivesse ligado a tempo?”
O ex-chefe do Shin Bet contesta acusações de “negligências criminosas” feitas contra ele e diz ter alertado Netanyahu em várias ocasiões sobre possíveis ameaças do Hamas. No processo, afirma que a política do primeiro-ministro ao longo de anos fortaleceu os riscos representados por organizações terroristas de Gaza.
Bar comandava o Shin Bet quando ocorreu o ataque. Em junho de 2025, deixou o cargo e reconheceu falhas da organização na resposta. “Todos os sistemas falharam. O Shin Bet não soube dar o alerta”, declarou na ocasião. Ele também afirmou que, como chefe do serviço, assumia a responsabilidade.
O Shin Bet é o serviço de segurança interna de Israel, responsável por atividades de inteligência e prevenção de ameaças dentro do país. As acusações de Bar sobre os alertas e a resposta do governo estão no centro da disputa judicial, enquanto a campanha de Netanyahu enfrenta questionamentos sobre as falhas de segurança ocorridas em 7 de outubro.
Para entender
- Shin Bet
- Serviço de segurança interna de Israel, responsável por inteligência e prevenção de ameaças dentro do país. Ronen Bar chefiava a organização quando ocorreu o ataque de 7 de outubro de 2023.