Indústria registra pior avaliação da margem de lucro desde 2020
A Sondagem Industrial da CNI aponta pressão de custos e menor demanda; crédito e situação financeira também pioraram no terceiro trimestre.
Resumo em 30 segundos
A satisfação dos empresários industriais com a margem de lucro caiu para 42,2 pontos no terceiro trimestre, o menor nível desde o segundo trimestre de 2020. A CNI também registrou piora na avaliação do crédito e da situação financeira. Carga tributária, demanda interna insuficiente e juros elevados lideraram os problemas citados.
A insatisfação dos empresários da indústria com a margem de lucro chegou, no terceiro trimestre, ao nível mais alto desde a pandemia. O índice da Confederação Nacional da Indústria (CNI) recuou 1,3 ponto em relação ao trimestre anterior, para 42,2 pontos, o menor resultado desde o segundo trimestre de 2020, segundo a Sondagem Industrial divulgada nesta quinta-feira (22).
O levantamento também registrou piora na avaliação das empresas sobre o acesso ao crédito e a situação financeira. Os indicadores caíram, respectivamente, 0,5 ponto, para 39,4 pontos, e 0,2 ponto, para 47,4 pontos. Em índices de percepção da CNI, resultados abaixo de 50 pontos indicam avaliação desfavorável ou queda, conforme o aspecto medido.
Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da entidade, relacionou a pressão sobre os lucros ao aumento de custos, que atribuiu em parte à guerra no Oriente Médio, e à diminuição da demanda. Com menor procura e faturamento, afirmou, as empresas têm menos espaço para sustentar a lucratividade.
Os preços de insumos e matérias-primas continuaram subindo, mas em ritmo menor. O indicador recuou 3,6 pontos, para 60,5 pontos, ainda acima de 50, marca que aponta elevação dos preços. O resultado ficou abaixo da média histórica para o terceiro trimestre.
A carga tributária permaneceu como o principal problema citado: 37,2% dos empresários a incluíram entre os maiores entraves, alta de 3,9 pontos percentuais ante o segundo trimestre. A demanda interna insuficiente avançou da quarta para a segunda posição, mencionada por 29,6%, aumento de três pontos percentuais. Juros elevados ficaram em terceiro lugar, apontados por 24,3%, alta de 0,6 ponto percentual.
Outros indicadores sinalizaram perda de força da atividade. Em setembro, a produção marcou 46,7 pontos, abaixo de 50, e o índice de emprego ficou em 48 pontos, também indicando retração. Ao mesmo tempo, o estoque efetivo em relação ao planejado cresceu pelo terceiro mês seguido e chegou a 50,8 pontos, o maior patamar em quase três anos.
A utilização da capacidade instalada subiu um ponto percentual, para 70%, igualando o nível observado no mesmo período do ano passado. A medida indica quanto da capacidade produtiva disponível está sendo usada.
As expectativas para demanda, compras de insumos, emprego e exportações pouco se alteraram entre setembro e outubro e permaneceram abaixo das respectivas médias históricas. A intenção de investimento, após quatro quedas consecutivas, aumentou 1,3 ponto em outubro, para 52,6 pontos, mas acumula recuo de 3,3 pontos em 2026.
A CNI ouviu 1.348 empresas — 562 pequenas, 474 médias e 312 grandes — entre 1º e 13 de outubro.