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Sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Império de Murdoch avalia futuro da Fox News após derrota de Trump

O resultado das eleições de meio de mandato nos EUA abriu debate sobre a relação do grupo com o presidente e o desafio de manter a audiência conservadora.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Sala de controle de uma emissora de TV com monitores e estúdio ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Sala de controle de uma emissora de TV com monitores e estúdio ao fundo.
Resumo em 30 segundos

Após os republicanos perderem o controle das duas Casas do Congresso, veículos ligados a Rupert Murdoch criticaram Donald Trump e discutiram o futuro do partido sem ele. Na Fox News, comentaristas apontaram a guerra contra o Irã como fator da derrota. A emissora enfrenta o dilema de preservar sua audiência conservadora sem afastar outros espectadores.

O império de mídia de Rupert Murdoch começou a sinalizar uma possível distância de Donald Trump depois que os republicanos perderam o controle das duas Casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3). Editorial do The Wall Street Journal responsabilizou o presidente pela derrota, enquanto comentaristas da Fox News criticaram o impacto da guerra contra o Irã e o tom da campanha republicana.

A votação elevou os democratas ao comando das duas Casas, segundo o relato publicado sobre os resultados, e levou veículos ligados a Murdoch a discutir o futuro do Partido Republicano sem Trump. O conselho editorial do Wall Street Journal chamou o presidente de “principal arquiteto” da derrota e defendeu que os republicanos debatam quais serão suas bandeiras depois dele.

O jornal também atribuiu o resultado ao segundo mandato “errático e egocêntrico” de Trump, que, na avaliação do editorial, desperdiçou uma oportunidade de promover a agenda conservadora. A eleição foi descrita como um “veredicto arrasador” sobre uma “oportunidade desperdiçada”. O texto defendeu que o debate sobre o futuro do partido comece ainda nesta semana.

O New York Post, outro veículo do grupo de Murdoch, publicou na quarta-feira (4) uma capa que mostrava Trump diante de uma onda azul, associada aos democratas, com a chamada de que o presidente sofrera uma reprovação histórica. A imagem e o editorial do Wall Street Journal marcaram uma mudança de tom em relação ao apoio que veículos do grupo haviam dado ao republicano.

Na Fox News, emissora que mantém relações próximas com Trump e tem comentaristas conservadores influentes, as críticas apareceram ao vivo. Sean Hannity, um dos apresentadores mais identificados com o presidente, afirmou que o resultado teria sido diferente se Trump não tivesse iniciado a guerra contra o Irã: “Cem por cento. Acho que não há dúvida nenhuma a respeito disso”. Laura Ingraham disse que o conflito havia sido “realmente duro e mal explicada”.

Trump passou a noite da eleição acompanhando a Fox News e atacou a emissora nas redes sociais. Ele reclamou da cobertura, criticou a voz de uma apresentadora e enviou uma mensagem ao apresentador Greg Gutfeld durante uma transmissão, pedindo que chamasse a coapresentadora Jessica Tarlov de “a PIOR”. Gutfeld leu o texto no ar; Tarlov respondeu: “Apenas aperte o stop”.

Apesar das críticas públicas, Trump também telefonou para a Fox News e conversou por mais de 20 minutos com Bret Baier e Martha MacCallum. Os apresentadores perguntaram sobre as derrotas republicanas, a guerra contra o Irã e integrantes do governo. Trump minimizou o peso do conflito, elogiou o desempenho dos democratas e disse: “É apenas um ponto na linha do tempo, Bret. Havia um certo clima no ar, acho eu”.

A perspectiva de uma fase pós-Trump representa um dilema para a Fox News. A emissora precisa preservar a audiência conservadora que acompanha o presidente e, ao mesmo tempo, buscar espectadores mais jovens. A rede rival Newsmax pode tentar atrair parte desse público se a Fox se afastar de Trump, mas a manutenção de um alinhamento estreito também pode limitar sua capacidade de ampliar a audiência.

A audiência televisiva da Fox News caiu 28% no horário nobre em outubro, na comparação com o mesmo mês de 2025. O CEO da Fox, Lachlan Murdoch, afirmou nesta semana que os telespectadores estão “fatigados”. A empresa ressaltou, por outro lado, que continuou sendo o canal mais assistido da televisão a cabo em outubro e que seus vídeos no YouTube somaram 3,9 bilhões de visualizações em 2026, quase 1 bilhão a mais do que os de seu concorrente mais próximo entre os canais de notícias a cabo.

A emissora não abandonou sua linha conservadora. Na manhã seguinte à eleição, a apresentadora Ainsley Earhardt abriu o programa com um alerta de que “seu bolso e seu modo de vida estão em risco”; ao longo do dia, a programação também destacou a influência crescente dos socialistas democráticos. Karoline Leavitt, ex-secretária de imprensa da Casa Branca que passou a atuar como comentarista da Fox nesta semana, defendeu o histórico do governo Trump durante a cobertura eleitoral.

A tensão expõe os interesses em jogo para o grupo de Murdoch, que inclui veículos nos Estados Unidos e no Reino Unido. Murdoch já descreveu suas empresas como “guardiãs da voz conservadora no mundo de língua inglesa”. Em 2025, ele se dispôs a pagar mais de US$ 3 bilhões a três de seus filhos para assegurar que, depois de sua morte, o controle do império fique com o filho mais velho, Lachlan, e que os negócios mantenham orientação à direita.

A mudança de posição também tem dimensão comercial: a Fox precisa decidir como lidar com um presidente ainda popular entre parte de seu público sem perder espectadores para outras emissoras. Um ex-executivo sênior da News Corp afirmou que Murdoch procura identificar com antecedência quem pode vencer na política para influenciar seus planos. “Rupert não quer ficar com um perdedor”, disse o ex-executivo. “Ele não se importa mais com Trump, ele se importa com a audiência.”

Fontes: Valor Econômico

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

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