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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Grupo de Murdoch muda o tom sobre Trump após derrota republicana

Editorial do Wall Street Journal responsabiliza o presidente pelo revés, enquanto a Fox News mantém críticas à guerra contra o Irã e segue dando espaço a Trump.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Estúdio de notícias vazio, com câmeras e iluminação azul e vermelha após uma eleição nos Estados Unidos. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Estúdio de notícias vazio, com câmeras e iluminação azul e vermelha após uma eleição nos Estados Unidos.
Resumo em 30 segundos

Após a derrota republicana nas eleições de meio de mandato, o Wall Street Journal culpou Trump pelo resultado e o New York Post destacou a vitória democrata. A Fox News também exibiu críticas à guerra contra o Irã, mas manteve espaço para o presidente, que telefonou ao canal para uma entrevista ao vivo.

A derrota republicana nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos expôs o distanciamento entre Donald Trump e o império de mídia de Rupert Murdoch. Na noite da votação, enquanto os democratas conquistavam o controle das duas Casas do Congresso, o presidente criticou a Fox News, mas recebeu espaço para uma entrevista ao vivo; em seguida, o conselho editorial do Wall Street Journal o responsabilizou pelo revés e pediu ao Partido Republicano que discuta seu futuro sem ele.

A eleição foi realizada na terça-feira, e o resultado levou veículos ligados a Murdoch a rever o tom em relação ao presidente. O editorial do Wall Street Journal chamou Trump de “principal arquiteto” da derrota republicana e descreveu seu segundo mandato como “errático e egocêntrico”. O texto afirmou que o partido desperdiçou uma oportunidade de avançar pautas conservadoras e defendeu que a discussão sobre o que vem depois de Trump comece ainda nesta semana.

O New York Post, outro veículo do grupo, publicou na quarta-feira uma capa que retratou Trump diante de uma grande onda azul, referência à vitória democrata. A manchete classificou o resultado como uma reprovação histórica ao presidente e destacou o desempenho dos democratas nas eleições de meio de mandato.

A reação da Fox News foi menos uniforme. O canal, que por anos deu espaço a apresentadores conservadores próximos de Trump, manteve críticas à guerra contra o Irã, mas também continuou a defender aspectos do governo. Sean Hannity disse que a entrada dos Estados Unidos no conflito pesou “cem por cento” no resultado eleitoral. Laura Ingraham afirmou que a guerra foi “realmente dura e mal explicada”.

Durante a apuração, Trump atacou a emissora nas redes sociais, criticando a cobertura e a voz de uma apresentadora. Em uma transmissão ao vivo, o apresentador Greg Gutfeld leu uma mensagem enviada pelo presidente, que pedia que ele chamasse a coapresentadora Jessica Tarlov de “a PIOR”. Tarlov respondeu: “Apenas aperte o ‘stop’”.

Apesar das críticas, Trump telefonou para a Fox e conversou por mais de 20 minutos com Bret Baier e Martha MacCallum. Os apresentadores perguntaram sobre as derrotas republicanas, a guerra contra o Irã e integrantes do gabinete. Trump minimizou a influência do conflito e elogiou o desempenho democrata. “É apenas um ponto na linha do tempo, Bret. Havia um certo clima no ar, acho eu”, disse. “Venho fazendo grandes coisas há muito tempo.”

O presidente também permaneceu em contato com a emissora por meio de aliados. Karoline Leavitt, que havia sido secretária de imprensa da Casa Branca e começou a atuar como comentarista do canal naquela semana, afirmou aos telespectadores que acabara de conversar com Trump. Ela defendeu o histórico do governo e criticou a cobertura da imprensa tradicional.

O tom mais crítico de parte do grupo Murdoch não significa que a Fox tenha abandonado sua orientação conservadora. Na quarta-feira de manhã, a apresentadora Ainsley Earhardt abriu o programa com um alerta sobre o risco aos bolsos e ao modo de vida do público. Ao longo do dia, a emissora também destacou o avanço dos socialistas democráticos.

A relação entre Trump e a Fox é importante para os dois lados: o presidente usa a rede para alcançar eleitores conservadores, enquanto o canal depende de uma audiência que inclui apoiadores do republicano. Esse vínculo ficou evidente mesmo na noite em que Trump atacou a cobertura. A emissora enfrenta o desafio de preservar essa base sem afastar outros espectadores, enquanto a concorrente Newsmax pode tentar atrair telespectadores insatisfeitos.

A disputa ocorre em meio à queda da audiência televisiva da Fox. Os índices do canal no horário nobre recuaram 28% em outubro, na comparação com o mesmo mês de 2025. O CEO da Fox, Lachlan Murdoch, afirmou nesta semana que os espectadores estão “fatigados”. A empresa ressaltou, porém, que continuou sendo o canal a cabo mais assistido em outubro e informou que seus vídeos somaram 3,9 bilhões de visualizações no YouTube em 2026, quase um bilhão a mais que o concorrente mais próximo entre os canais de notícias a cabo.

Rupert Murdoch, fundador do grupo, tem interesse em manter a influência conservadora de suas empresas. Em 2025, ele se comprometeu a pagar mais de US$ 3 bilhões a três de seus filhos para assegurar que, após sua morte, o controle do império fique com o filho mais velho, Lachlan. O plano também busca manter a orientação política dos negócios.

A derrota republicana abre uma discussão sobre a sucessão política de Trump e sobre a capacidade do presidente de manter a coalizão conservadora que o apoia. Para o grupo Murdoch, a mudança de tom envolve também uma decisão comercial: criticar o presidente sem romper com a audiência que o acompanha. A própria Fox afirmou que Trump atribuiu a queda de seus índices à cobertura que considera contrária a ele.

Fontes: Valor Econômico, Gazeta do Povo, Folha de S.Paulo

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