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Quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Ibovespa cai 2,68% e acumula perda de quase 17% na semana

A queda ocorreu na terceira sessão após a reeleição de Lula; o dólar à vista recuou 0,19% e fechou a R$ 5,3401, após oscilar durante o dia.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Operadores acompanham o mercado em um pregão marcado por forte queda na bolsa brasileira. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Operadores acompanham o mercado em um pregão marcado por forte queda na bolsa brasileira.
Resumo em 30 segundos

O Ibovespa caiu 2,68% na quarta-feira, aos 171.006 pontos, e acumulou perda de quase 17% na semana. Foi a terceira sessão seguida de baixa após a reeleição de Lula. Bancos lideraram as perdas, enquanto o dólar à vista recuou 0,19%, para R$ 5,3401.

O Ibovespa caiu 2,68% nesta quarta-feira e encerrou o pregão aos 171.006 pontos, na terceira sessão seguida de perdas após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com o resultado, o índice acumulou queda de quase 17% na semana, enquanto o dólar à vista recuou 0,19%, a R$ 5,3401, depois de oscilar durante o dia.

A bolsa chegou a variar entre 170.162 e 175.711 pontos. A queda ampliou o tombo de quase 14% registrado na segunda-feira e o recuo de 0,51% na terça. O volume financeiro negociado no Ibovespa foi de R$ 41,8 bilhões.

A pressão refletiu ajustes de investidores às perspectivas para o novo governo e a falta de sinais considerados favoráveis sobre a política econômica e futuras nomeações. Rumores sobre indicações para cargos no Banco Central e no Tribunal de Contas da União (TCU), além de preocupações com possíveis efeitos inflacionários de medidas tributárias, também pesaram sobre os ativos brasileiros.

As ações de bancos tiveram perdas expressivas, após terem acumulado ganhos antes do segundo turno. Os papéis preferenciais do Bradesco recuaram 6,68%, a maior baixa entre os ativos mais negociados, depois que o Itaú BBA reduziu a recomendação de compra para neutra e cortou o preço-alvo de R$ 22 para R$ 20 ao fim de 2027. A revisão foi atribuída a projeções menores de lucro e ao aumento do custo de capital próprio.

As units do Santander caíram 5,88%, em meio à reação a um balanço considerado mais fraco por analistas e à maior aversão a risco. As ações ordinárias da Vale perderam 2,57%, enquanto as preferenciais da Petrobras recuaram 0,53%.

Fernando Fontoura, sócio-fundador e gestor da Persevera Asset, afirmou que investidores locais ainda buscavam reduzir suas posições em ações depois de terem feito ajustes menores nas duas sessões anteriores. Na avaliação dele, parte desses agentes aguardou um repique na terça-feira, que ocorreu parcialmente, antes de retomar as vendas.

Fontoura disse que a falta de notícias sobre as indicações e a postura do novo governo reforçou a busca por menor exposição à bolsa. A reação do mercado também foi influenciada pela proposta do TCU de uma alíquota de referência de 11,3% para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo previsto na reforma tributária, e por rumores sobre a possível tributação de ativos hoje isentos.

A esses fatores se somou o reajuste do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis aprovado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). As preocupações com a inflação pressionaram os juros futuros, sobretudo nos prazos mais longos. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2031 subiu de 14,91% para 15,07%; a do DI para janeiro de 2028 avançou de 14,385% para 14,405%.

O dólar subiu pela manhã, em um ambiente de cautela, mas perdeu força à tarde, acompanhando a desvalorização global da moeda após o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, manter os juros inalterados. A consultoria Buysidebrazil passou a projetar o câmbio em torno de R$ 5,40 por dólar ao fim de 2026 e de 2027, ante previsão anterior de R$ 4,90. A revisão considera prêmios de risco domésticos maiores e, segundo a consultoria, dependerá da evolução das expectativas fiscais e da percepção de risco dos investidores.

Fontes: Valor Econômico

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