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Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Ações do Banco do Brasil caem quase 30% após reeleição de Lula

Juros elevados por mais tempo e inadimplência no crédito rural pressionam BBAS3; analistas projetam lucro de R$ 1,9 bilhão no terceiro trimestre.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Edifício bancário com campos agrícolas refletidos na fachada de vidro. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Edifício bancário com campos agrícolas refletidos na fachada de vidro.
Resumo em 30 segundos

As ações do Banco do Brasil acumulavam queda de 24,49% em outubro e de 19% no ano. Analistas apontam os juros elevados por mais tempo e a piora nos pagamentos do crédito rural como pressões sobre os resultados. Uma projeção estima lucro de R$ 1,9 bilhão no terceiro trimestre, cerca de 50% abaixo do trimestre anterior.

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) recuaram quase 30% no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e continuaram em baixa nesta terça-feira (27). Analistas atribuem a queda sobretudo à expectativa de juros elevados por mais tempo e à preocupação com o aumento da inadimplência no crédito rural, que pode pressionar os resultados do banco.

Em outubro, o papel acumulava perda de 24,49%; no ano, a desvalorização era de 19%. Na sessão desta terça, as ações ordinárias do Banco do Brasil chegaram a subir mais de 2%, mas encerraram em queda de 0,52%. O Ibovespa também fechou no vermelho, com recuo de 0,51%, aos 175.710 pontos.

A expectativa de juros mais altos está relacionada à avaliação de que o governo não adotará um ajuste fiscal tão amplo quanto o que parte do mercado esperava caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) tivesse vencido a eleição. Na sessão anterior, os juros futuros com vencimento em 2028 subiram dois pontos percentuais. Essas taxas negociadas no mercado refletem as expectativas dos investidores para os juros em períodos futuros e influenciam o custo do crédito e a avaliação de ativos.

Para o Banco do Brasil, o risco mais imediato apontado por analistas é a capacidade de pagamento dos produtores rurais. O agronegócio representa mais de 30% da carteira de crédito da instituição, e a pontualidade dos pagamentos está perto de 75%, abaixo dos cerca de 90% considerados nas expectativas do banco para o segundo semestre de 2026. A diferença pode elevar as provisões, valores reservados para cobrir empréstimos que podem não ser pagos, e reduzir o lucro.

Às vésperas da divulgação do balanço do terceiro trimestre, uma projeção do BTG Pactual estima lucro líquido próximo de R$ 1,9 bilhão. O valor seria cerca de 50% menor que o resultado do trimestre anterior e também ficaria abaixo da expectativa média do mercado, segundo a análise. A deterioração da qualidade do crédito rural é apontada como principal fator de pressão.

O banco ainda tinha R$ 12,5 bilhões em recursos equalizados para renegociar até 12 de novembro. Até o fim de setembro, menos de R$ 1 bilhão havia sido renegociado, o equivalente a menos de 8% do montante. A instituição começou priorizando clientes com parcelas vencidas havia mais de 90 dias.

As recomendações de investimento variam. Um analista da Eleven aconselha evitar a ação neste momento, enquanto o BTG Pactual mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 19, cerca de 6% acima da cotação atual em um horizonte de 12 meses. Embora o papel seja negociado abaixo do valor patrimonial e a cerca de oito vezes o lucro projetado para 2026, a estimativa de dividendos caiu de 4,1% em 2025 para 3,2% em 2026. Analistas dizem que uma recuperação mais consistente dependerá de sinais sobre a política fiscal e da evolução dos pagamentos do setor rural.

Fontes: Estadão, Valor Econômico

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