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Sexta-feira, 6 de novembro de 2026

IBGE desconta dias de greve de servidores em parcela única

A Assibge afirma que a cobrança foi feita sem acordo e deixou alguns funcionários sem salário no início de novembro; descontos atingiram sobretudo servidores da Bahia.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Funcionários caminham diante da entrada de um instituto público de estatística. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Funcionários caminham diante da entrada de um instituto público de estatística.
Resumo em 30 segundos

Dezenas de servidores do IBGE tiveram descontados de uma só vez os dias de greve de agosto e setembro, segundo a Assibge. A associação critica a falta de negociação sobre os valores e as condições de pagamento. O instituto havia informado que as conversas começariam após o fim do período de defeso eleitoral, em 25 de outubro.

Dezenas de servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tiveram descontados integralmente os dias em que participaram de uma greve em agosto e setembro. Segundo a Associação dos Servidores do IBGE (Assibge), a medida, aplicada de uma só vez, deixou alguns funcionários sem salário no início de novembro e ampliou o conflito com a direção do órgão, presidido pelo economista Marcio Pochmann desde agosto de 2023.

Em comunicado divulgado na quinta-feira (5), a Assibge afirmou que os descontos foram feitos sem acordo com os trabalhadores. A entidade reconheceu que servidores em greve podem ter os dias parados descontados, mas criticou a forma de aplicação e cobrou negociação sobre os valores e as condições de pagamento.

A associação disse que enviou à presidência do IBGE, há mais de um mês, uma proposta de termo para formalizar entendimentos e buscar uma saída negociada. Segundo a entidade, as tratativas não foram concluídas e a direção apresentou novas exigências. O sindicato também afirmou que já vinha pedindo um canal de diálogo com a presidência.

O IBGE informou, em ofícios enviados à Assibge em 3 de setembro e ao Ministério da Gestão e da Inovação em 25 de setembro, que as negociações começariam depois do período de defeso eleitoral. Esse período terminou em 25 de outubro. A greve teve maior adesão na Bahia, onde os descontos teriam atingido principalmente parte dos servidores.

A paralisação foi convocada após críticas dos funcionários à falta de diálogo na instituição. Entre as questões levantadas estava o corte de indenizações pagas a trabalhadores que realizam pesquisas em campo. A tensão entre a associação e a gestão do instituto se intensificou no segundo semestre de 2024, quando o sindicato também contestou medidas da direção.

Uma delas foi a proposta de criação da IBGE+, fundação que poderia desenvolver trabalhos para o setor privado. O projeto não avançou depois das contestações dos funcionários. Nesta quinta-feira, a Assibge lançou uma campanha nas redes sociais pedindo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), responsável pela indicação de Pochmann ao cargo em 2023, volte sua atenção ao instituto.

Os advogados Adovaldo Filho e Rodrigo Torelly, do escritório Mauro Menezes & Advogados, afirmaram que o desconto dos dias de greve não é ilegal, mas que sua aplicação sem negociação prévia é grave. Eles também avaliaram que o desconto integral não se harmoniza com princípios constitucionais de proteção aos trabalhadores e destacaram o caráter alimentar da remuneração dos servidores.

O direito de greve é garantido aos servidores públicos, mas a paralisação pode ter consequências sobre a remuneração dos dias não trabalhados. Neste caso, a disputa envolve não apenas a possibilidade de desconto, mas também a forma de cobrança e a negociação de uma solução entre a categoria e a administração do IBGE.

Fontes: Folha de S.Paulo

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