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Quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Previdência vê beneficiários crescerem mais que contribuintes

Entre 2015 e 2025, a proporção caiu de 2,5 para 2,3 contribuintes por aposentado; projeção aponta menos contribuintes e mais beneficiários em 2070.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Idosos e trabalhadores circulam por uma praça urbana. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Idosos e trabalhadores circulam por uma praça urbana.
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O número de contribuintes da Previdência cresceu 12,8% entre 2015 e 2025, mas os beneficiários aumentaram mais depressa. Estudo projeta que, a partir de 2030, os contribuintes começarão a cair. Em 2070, o total de beneficiários poderá ter dobrado, enquanto o déficit previdenciário chegou a R$ 440 bilhões em 2025.

O número de brasileiros que contribuem para a Previdência cresceu 12,8% entre 2015 e 2025, de 59,9 milhões para 67,5 milhões, mas a quantidade de beneficiários aumentou mais depressa. O descompasso, apontado em estudo do especialista Rogério Nagamine baseado em dados oficiais e na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), ocorre em meio ao envelhecimento da população e pressiona o financiamento do sistema.

A proporção entre contribuintes e aposentados caiu de 2,5 para 2,3 no período. No modelo de repartição adotado no Brasil, as contribuições dos trabalhadores ativos ajudam a pagar aposentadorias e pensões de quem já deixou o mercado de trabalho. Quando há menos contribuintes em relação ao total de beneficiários, cresce a pressão sobre as receitas e sobre o orçamento público.

Nagamine afirmou que o avanço no número de contribuintes foi moderado e inferior ao crescimento dos beneficiários de aposentadorias e pensões por morte. A tendência, segundo o estudo, é de aceleração da queda nessa relação, à medida que aumenta a proporção de idosos no país.

Entre trabalhadores do setor privado, o total de beneficiários passou de 29,8 milhões para 36,5 milhões entre 2015 e 2025, expansão média de 2% ao ano. A partir de 2030, a projeção é que o número de contribuintes comece a cair, enquanto a quantidade de beneficiários continue subindo. O estudo relaciona essa perspectiva à redução esperada da força de trabalho e ao envelhecimento populacional.

Na projeção para 2070, haverá 22% menos contribuintes do que em 2025, enquanto o total de beneficiários terá dobrado, com alta estimada em 102,5%. O crescimento médio anual dos beneficiários seria de 1,6%. A cobertura previdenciária também avançou de forma desigual entre as regiões, com expansão maior em áreas menos povoadas e menor em regiões de alta densidade, como o Sudeste e o Nordeste.

O Rio de Janeiro foi a única unidade da federação a registrar queda de contribuintes no intervalo analisado. O total passou de 5,052 milhões, em 2015, para 4,814 milhões, em 2025, recuo de 3,5%. O estado também tem uma parcela elevada de moradores com 65 anos ou mais.

O estudo inclui na análise o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos de baixa renda que nunca contribuíram ou não recolheram o suficiente para cumprir as exigências previdenciárias. Em 2025, havia dois contribuintes para cada beneficiário nessa categoria. A projeção é que a proporção chegue a um para um na década de 2050.

O déficit dos regimes previdenciários de trabalhadores do setor privado, servidores públicos federais e militares das Forças Armadas somou R$ 440 bilhões em 2025. A arrecadação de contribuições não cobriu as despesas com benefícios. Separadamente, o déficit atuarial — estimativa, trazida a valores atuais, dos compromissos previstos para os próximos 75 anos — é calculado em cerca de R$ 800 bilhões.

A proposta orçamentária de 2027, enviada ao Congresso em agosto, projeta R$ 1,4 trilhão em despesas da União com benefícios previdenciários, aproximadamente metade dos gastos primários. A reforma aprovada em 2019 estabeleceu idade mínima para aposentadoria, mas o estudo e os especialistas citados avaliam que as mudanças não bastaram para garantir a sustentabilidade do regime.

O economista Fabio Giambiagi defendeu que o tema seja enfrentado em 2027, qualquer que seja o resultado eleitoral. Segundo ele, a despesa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que correspondia a 7,91% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022, deverá atingir 8,28% do PIB neste ano. Giambiagi afirmou que, sem uma nova reforma em 2027, o custo em 2030 tende a ser maior.

Leonardo Rolim, ex-presidente do INSS, destacou o efeito das mudanças demográficas. Com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ele disse que o Brasil terá 61 milhões de pessoas com mais de 65 anos em 2070, quase três vezes o número atual. A população em idade ativa deverá ser de 113 milhões, 34 milhões abaixo do total de hoje; mesmo que todos contribuíssem, afirmou, a relação não chegaria a dois trabalhadores por beneficiário, ante três para um que ele considera necessária à viabilidade do sistema.

Nagamine apontou a redução da informalidade e o aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho como medidas que podem ampliar a base de contribuintes. Ele também alertou para o financiamento simplificado do microempreendedor individual (MEI): a contribuição equivale a 5% do salário mínimo e, segundo o especialista, pode ser insuficiente para custear os benefícios futuros. Rolim defendeu rever isenções e subsídios e aperfeiçoar o regime do MEI; para ele, combater fraudes ajuda a conter gastos no curto prazo, mas não substitui mudanças estruturais.

Fontes: O Globo

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