Governo Lula evita resposta pública à carta de Flávio Bolsonaro
Partidos de esquerda reagiram ao documento, que chegou a chamar o senador de “verdadeiro presidente eleito” e trazia um brasão com nome antigo do Brasil.
Resumo em 30 segundos
O governo Lula não pretende responder publicamente à carta divulgada por Flávio Bolsonaro após sua chegada aos Estados Unidos. Aliados avaliam que o episódio desgasta o senador e deixaram a reação a partidos e parlamentares. Siglas de esquerda divulgaram nota contra interferência estrangeira e contestaram a tentativa de Flávio de se apresentar como presidente eleito.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não pretende responder publicamente à carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após sua chegada aos Estados Unidos. A avaliação de aliados do presidente é que o episódio desgasta o candidato derrotado à Presidência e que a reação deve ficar a cargo de partidos e parlamentares da base governista.
Um auxiliar de Lula classificou a situação como “ridícula” e afirmou que Flávio perde capital político ao continuar agindo dessa forma. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, fez uma referência indireta ao caso em uma publicação nas redes sociais, sem citar o senador: “Esperar o quê de quem se autoproclamou dono da ilha do Richarlison?”. A frase remete a uma disputa envolvendo o jogador e o senador, além do advogado Willer Thomaz, por uma ilha em Angra dos Reis.
Partidos de esquerda que apoiaram Lula — PT, PC do B, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT — divulgaram uma nota em que rejeitam interferência estrangeira no processo democrático brasileiro. As siglas disseram que Flávio “fugiu do Brasil para não enfrentar a Justiça” e “buscou abrigo” junto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem acusaram de atuar para interferir na eleição. Também afirmaram que a contestação do resultado não se sustenta e citaram a trama golpista que levou à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A nota afirma que “o Brasil não é quintal de ninguém, e a vontade soberana do povo brasileiro será respeitada”. O governo já havia decidido não responder a uma declaração de Trump segundo a qual as eleições brasileiras “pareceram fraudadas”. A avaliação de um auxiliar de Lula foi que o presidente americano buscava sinalizar para a direita de seu país. Trump também declarou que gosta de Lula e que não governa o Brasil, quando questionado sobre tomar alguma medida relacionada à eleição.
A carta de Flávio, divulgada após sua chegada aos Estados Unidos, apresentou inicialmente um brasão com a inscrição “Estados Unidos do Brazil” e chamou o senador de “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, apesar da derrota nas urnas. Uma versão posterior corrigiu o brasão para “República Federativa do Brasil”; em outra publicação, Flávio se descreveu como “o líder do Brasil”.
“Estados Unidos do Brazil” foi a denominação adotada após a Proclamação da República, em 1889. O nome oficial mudou para República Federativa do Brasil em 1967, e a Constituição de 1988 manteve essa designação. A carta também agradecia aos presidentes dos Estados Unidos e da Argentina.