Greta Thunberg apoia estudantes em protestos por educação na França
Em Saint-Denis, a ativista sueca criticou a falta de investimentos nas escolas; atos desta terça-feira também cobram professores substitutos e melhorias na infraestrutura.
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Greta Thunberg participou de um protesto estudantil em Saint-Denis, nos arredores de Paris, durante mobilizações por melhores condições de ensino em várias cidades francesas. Os manifestantes reivindicam mais professores substitutos, reformas nas escolas e mudanças no acesso às universidades. As autoridades estimavam de 130 mil a 200 mil participantes nos atos desta terça-feira.
A ativista sueca Greta Thunberg participou nesta terça-feira (13) de um protesto de estudantes do ensino médio em Saint-Denis, ao norte de Paris, na França, enquanto manifestações por melhores condições de ensino eram realizadas em várias cidades do país. As mobilizações incluem alunos, universitários e professores, com apoio de sindicatos.
Na escola Paul Éluard, um dos pontos centrais do movimento, Thunberg disse estar “enormemente orgulhosa dos estudantes franceses” e afirmou que os jovens não são tratados como prioridade. “Estão roubando o nosso futuro e, como pudemos constatar aqui, as escolas não recebem os investimentos de que precisam”, declarou.
Os manifestantes cobram a contratação de professores substitutos, melhorias em prédios deteriorados e salas de aula, jornadas menos extensas e mudanças no sistema de acesso às universidades, que consideram pouco transparente. Muitos dos participantes têm entre 15 e 18 anos. As reivindicações incluem também adaptações das escolas às mudanças climáticas.
As autoridades francesas estimavam a participação de 130 mil a 200 mil pessoas nos atos desta terça-feira. Na semana anterior, o número de manifestantes foi calculado entre 266 mil e 450 mil, segundo as estimativas divulgadas. A União Estudantil afirmou que cerca de 90% das quase 70 universidades do país estavam bloqueadas ou fechadas. No ensino médio, aproximadamente 200 das 3.700 escolas haviam sido fechadas preventivamente, menos do que em semanas anteriores, de acordo com o ministro da Educação, Édouard Geffray.
O governo anunciou a contratação de 3 mil professores substitutos, mas organizações estudantis consideram a medida insuficiente e reivindicam um plano de 10 bilhões de euros para as escolas de ensino médio. O ministro informou que 35% dos profissionais previstos já haviam sido designados para atuar nas 114 instituições mais afetadas pela ausência de docentes.
Os protestos começaram no fim de setembro e, embora sejam em sua maioria pacíficos, houve episódios de violência e denúncias de agressões policiais. O Ministério da Educação informou que oito integrantes do corpo docente ficaram feridos na segunda-feira (12), em ocorrências relacionadas às manifestações. A polícia abriu investigações internas sobre 24 denúncias de violência contra manifestantes, segundo informações oficiais.
O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, anunciou que apresentará emendas para retomar algumas propostas dos estudantes, que também foram consultados pela internet. Em Paris, a marcha desta terça-feira estava prevista para seguir até o Palácio dos Inválidos, próximo ao gabinete do premiê e ao Ministério da Educação. Os protestos ocorrem a menos de sete meses da eleição presidencial que escolherá o sucessor de Emmanuel Macron.