Governadores que apoiaram Flávio reconhecem vitória de Lula
Após a derrota do senador, a maioria dos governadores eleitos defende diálogo com o governo federal para negociar dívidas e viabilizar projetos estaduais.
Resumo em 30 segundos
Dos 15 governadores eleitos que apoiaram Flávio Bolsonaro no segundo turno, 13 reconheceram expressamente a vitória de Lula, e nenhum aderiu à contestação do resultado. Eles defendem manter relações institucionais com o governo federal para tratar de dívidas, obras e investimentos. Dois não reconheceram expressamente a vitória até o momento relatado.
Governadores de direita que apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial passaram a reconhecer a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e a defender diálogo com o governo federal, apesar das divergências políticas. A mudança ocorre após a derrota do senador e sua ida aos Estados Unidos, enquanto os eleitos se preparam para administrar estados com desafios fiscais e dependência de investimentos da União.
Dos 15 governadores eleitos que estiveram ao lado de Flávio na etapa final da disputa, 13 reconheceram expressamente a reeleição de Lula. Nenhum assinou a carta em que o senador contestou o resultado das urnas sem apresentar provas. A maioria também ressaltou que pretende manter relações institucionais com o Planalto para viabilizar projetos e atender a demandas estaduais.
Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito e ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, declarou que a eleição terminou e que é necessário seguir adiante. Ele disse compreender a indignação de Flávio e de outros eleitores, mas defendeu o respeito ao resultado. Tarcísio é apontado como um dos nomes cotados para concorrer à Presidência daqui a quatro anos.
A busca “Tarcísio de Freitas apoia Lula e Flávio” reúne dois pontos distintos: o governador apoiou Flávio na eleição, mas não aderiu à contestação do resultado e defendeu respeitar a vitória de Lula. Sua posição foi de reconhecer a escolha dos eleitores e priorizar os próximos passos, não de declarar apoio político ao presidente reeleito.
No Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL) também afirmou que respeita a decisão da maioria, embora tenha dito que o país perdeu a oportunidade de mudar seu futuro. O governador eleito declarou que pretende construir uma relação produtiva com o governo federal para atrair recursos para obras e políticas sociais. Flávio o apoiou durante a campanha, em que Ruas superou o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) no primeiro turno.
A necessidade de negociar com Brasília aparece de forma mais direta em Minas Gerais. Flávio havia prometido a Cleitinho Azevedo (Republicanos) rever as condições da dívida estadual com a União, superior a R$ 180 bilhões, e transformar parte dos pagamentos em investimentos. Com a derrota do senador, o governador eleito terá de tratar do tema com Lula. O orçamento mineiro prevê déficit de R$ 10,5 bilhões em 2027; Cleitinho não comentou a derrota, mas tem defendido superar divergências em nome da pacificação.
No Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL) pediu diálogo com o governo federal e reciprocidade diante das dificuldades fiscais do estado. Governadores da região Sul também discutem uma agenda conjunta, com a recuperação da Malha Sul, ferrovia usada para escoar a produção agrícola, a renegociação de dívidas e a criação de um fundo constitucional para o Sul e o Sudeste. As demandas incluem ainda mais crédito para o agronegócio e obras de infraestrutura.
Sergio Moro, eleito no Paraná, reconheceu o resultado, embora tenha defendido esclarecimentos sobre questionamentos da oposição ao processo eleitoral. Ele afirmou que seu foco será a administração estadual e que continuará na oposição em âmbito nacional. Em Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP) disse ter tentado telefonar para Lula para parabenizá-lo, sem conseguir contato, e defendeu separar a discussão política da administrativa. Entre os projetos que quer manter com apoio federal estão a Rota Bioceânica e obras em rodovias federais.
No Distrito Federal, Celina Leão (PP) afirmou que pretende dialogar com Lula apesar das diferenças políticas. A governadora busca apoio da União para capitalizar o Banco de Brasília (BRB), depois de prejuízos ligados à tentativa frustrada de compra do Banco Master e de suspeitas de fraude financeira envolvendo a operação. Ela pediu aval federal para um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões, mas as negociações enfrentaram impasses.
Daniel Vilela (MDB), governador eleito de Goiás, reconheceu a vitória de Lula e cobrou que estados governados por adversários não sejam alvo de retaliação. Já Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina, e Marcos Rogério (PL), de Rondônia, não reconheceram expressamente a vitória até o momento relatado. Ambos lamentaram a derrota de Flávio; Jorginho disse que a eleição terminou, mas citou questionamentos a esclarecer, enquanto Marcos Rogério não declarou se reconhecia o resultado.