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Domingo, 1 de novembro de 2026

Tarcísio vê disputa de 2030 condicionada a alianças e gestão

Flávio Bolsonaro está nos Estados Unidos e promete organizar a oposição a Lula; Tarcísio diz que uma candidatura à Presidência será decidida em grupo.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Tarcísio de Freitas fala em um evento público. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Tarcísio de Freitas fala em um evento público.
Resumo em 30 segundos

A saída de Flávio Bolsonaro do país abre espaço para outras lideranças da direita, entre elas Tarcísio de Freitas, que admite considerar uma candidatura presidencial em 2030. O governador afirma que a decisão será coletiva e depende de concluir bem seu mandato em São Paulo e construir apoio político além do estado.

Flávio Bolsonaro (PL) está nos Estados Unidos desde a derrota eleitoral e afirma que pretende liderar do exterior a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito. A saída do senador do país abriu espaço para que outros nomes da direita ganhem projeção, entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que admitiu considerar uma candidatura à Presidência em 2030.

Em uma carta, Flávio declarou-se “presidente eleito” e depois “líder do Brasil”. Ele disse que apresentará nos próximos dias uma estratégia de mobilização contra o governo. O senador não detalhou, no material divulgado, propostas específicas, o uso de recursos financeiros ou uma investigação relacionada à sua permanência nos Estados Unidos. A movimentação descrita é política: aliados veem a ausência dele no país como uma oportunidade para outras lideranças da direita.

Tarcísio afirmou que uma eventual candidatura será discutida “em grupo, e não sozinho”. O governador também disse que uma disputa nacional dependeria de concluir bem seu segundo mandato à frente do governo paulista, com entregas e avanços em projetos e em áreas como segurança pública. A possibilidade, portanto, ainda não foi apresentada como uma decisão formal de candidatura.

A relação com a família Bolsonaro é um dos fatores que podem influenciar os planos do governador. Pessoas próximas a Tarcísio afirmam que ele não deve agir sem a aprovação de Jair Bolsonaro, que o lançou como candidato ao governo paulista em 2022. Desde o resultado das eleições, Tarcísio tem evitado endossar a alegação de fraude, mas demonstrou compreensão em relação às decisões de Flávio de contestar o resultado e deixar o país.

A aproximação com o bolsonarismo, porém, também pode gerar desgaste. Menos de um dia depois de Tarcísio admitir a possibilidade de concorrer ao Planalto, apoiadores de Bolsonaro publicaram críticas nas redes sociais, e influenciadores de direita também o atacaram. Uma ala do PL passou a mirar o governador. Um aliado ouvido no meio político avalia que Tarcísio precisaria de diálogo e acordo com a família para não ser visto como traidor ou oportunista.

Em São Paulo, integrantes próximos de Jair e Flávio defenderam o governador. Guilherme Piai, ex-secretário estadual da Agricultura, publicou um vídeo em apoio a Tarcísio e disse que ele resistiu a pressões do Centrão para concorrer à Presidência, por manter o alinhamento com a família Bolsonaro. O senador Eduardo Gomes (PL-TO), vice-presidente do Senado e ex-líder do governo Bolsonaro no Congresso, também citou Tarcísio entre as lideranças que podem se destacar após a saída de Flávio.

Para ampliar sua presença nacional, Tarcísio terá de ir além da atuação em São Paulo e da mobilização nas redes. Um parlamentar próximo ao governador defende que a direita se organize no Congresso para fazer oposição às medidas do governo Lula. A eleição de seus dois candidatos ao Senado, André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), pode facilitar sua atuação em debates nacionais nos próximos quatro anos.

O desempenho da administração paulista também será observado. Entre as obras mencionadas como prioridades estão o túnel Santos-Guarujá, cujo início está previsto para 2027, e a conclusão da Linha 6-Laranja do Metrô, prometida para até o fim de 2027. A previsão é entregar os primeiros acessos do túnel em 2030. Segurança pública e educação também estão entre os desafios do governo, que enfrentou problemas nas duas áreas durante o primeiro mandato.

A segurança é um tema especialmente relevante para a disputa. Embora alguns indicadores criminais tenham caído, também houve aumento em áreas como violência contra a mulher e registros de abusos e corrupção envolvendo policiais militares e civis. Para o cientista político Rui Tavares Maluf, a capacidade de se posicionar sem depender do apoio bolsonarista será um teste para Tarcísio.

A dificuldade de transformar o governo de São Paulo em uma plataforma nacional também está ligada às diferenças entre os estados. Cila Schulman, CEO do Instituto Ideia, afirma que eleitores de outras regiões podem atribuir os resultados paulistas às condições econômicas e de infraestrutura do estado, em vez de reconhecer a atuação do governador. Na avaliação dela, Tarcísio também enfrentaria críticas tanto do PT quanto de apoiadores mais alinhados a Bolsonaro.

A eventual candidatura depende, assim, de duas frentes: consolidar resultados em São Paulo e construir apoio político fora do estado. Tarcísio já sinalizou que a decisão seria coletiva, enquanto Flávio promete organizar a oposição a Lula a partir dos Estados Unidos. A disputa por espaço na direita começa antes da próxima eleição presidencial, mas os movimentos descritos ainda não definem quem será o candidato do grupo.

Fontes: O Globo

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