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Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Gilmar Mendes cobra decisão sobre tabela Tunep e pagamentos do SUS

Gilmar Mendes quer que STF e STJ acelerem decisões sobre a remuneração de hospitais privados que atendem pelo SUS e a fiscalização de precatórios.

Por Ricardo Vasconcelos 3 min de leitura
Corredor de hospital público com documentos judiciais sobre uma mesa próxima. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Corredor de hospital público com documentos judiciais sobre uma mesa próxima.
Resumo em 30 segundos

Gilmar Mendes quer que o STF reavalie a possibilidade de estabelecer uma regra nacional para a remuneração de hospitais privados que atendem pelo SUS. Segundo o ministro, a questão pode ter impacto anual de R$ 24 bilhões. Ele também pediu rapidez ao STJ e defendeu apuração sobre a emissão e a transferência de precatórios, enquanto Fachin e Salomão discutem medidas de fiscalização.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), quer que a Corte volte a analisar se deve estabelecer uma regra nacional sobre a remuneração de hospitais privados que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O tema é definir se os pagamentos devem seguir a Tabela SUS ou a Tabela Única Nacional de Equivalência de Procedimentos (Tunep). Segundo Mendes, uma mudança pode afetar em cerca de R$ 24 bilhões por ano o orçamento do Ministério da Saúde.

Em ofício encaminhado na noite desta quarta-feira ao presidente do STF, Edson Fachin, Mendes afirmou que proporá o reconhecimento de repercussão geral em um processo sob sua relatoria. Nesse tipo de julgamento, o entendimento do Supremo orienta decisões de outros tribunais em casos semelhantes. A ação discute a revisão, com base na Tunep, dos valores pagos por serviços de saúde complementar prestados ao SUS.

O ministro também pediu ao presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luís Felipe Salomão, que a Corte julgue “com a maior brevidade possível” um processo sobre o assunto. O STJ deverá decidir se os valores da Tabela SUS podem ser equiparados aos da Tunep, definidos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), para preservar o equilíbrio econômico-financeiro de contratos e convênios com hospitais privados.

A discussão ocorre enquanto tribunais e autoridades ampliam a atenção sobre a emissão de precatórios. Mendes relaciona o tema a processos de hospitais que pedem a substituição da Tabela SUS pela Tunep e a ações do setor sucroalcooleiro. Segundo ele, esses casos teriam levado à expedição antecipada de precatórios, que são dívidas reconhecidas judicialmente contra o poder público.

Mendes afirmou que parte dos títulos já não está em nome de Santas Casas e hospitais filantrópicos. De acordo com o ministro, créditos foram cedidos com grandes descontos a fundos de investimento. Em ofício a Salomão, ele defendeu a apuração das condições em que os precatórios foram expedidos e transferidos, citando a concentração de créditos em poucos agentes econômicos.

O decano também questionou uma decisão anterior do STF sobre o tema. Na ocasião, por sete votos a três, os ministros concluíram que o processo não tinha repercussão geral. Mendes sustenta que a recusa exigia oito votos, correspondentes a dois terços da Corte, e considera que o Supremo deve reexaminar a questão constitucional.

Fachin anunciou medidas para reforçar o controle sobre a emissão, a cessão e o uso de precatórios em operações financeiras. Ele propôs à Corregedoria Nacional de Justiça ampliar a fiscalização e disse que pretende consultar os tribunais sobre títulos expedidos antes da comprovação do trânsito em julgado, quando não há mais possibilidade de recurso.

Salomão, que também preside o Conselho da Justiça Federal (CJF), estuda criar um painel público de precatórios federais com informações sobre o tribunal responsável, a natureza e o valor de cada pagamento. A discussão ganhou força em meio a revelações sobre o Banco Master: a instituição comprava dívidas judiciais com desconto e, conforme a matéria, tentava atuar junto ao Judiciário para liberar pagamentos. O valor dos precatórios também era usado para ampliar os balanços do banco.

Quem é quem

Supremo Tribunal Federal (STF)
O Supremo Tribunal Federal é a mais alta instância do Poder Judiciário brasileiro. Entre suas atribuições está julgar questões constitucionais e, em casos reconhecidos com repercussão geral, fixar entendimentos que orientam outros tribunais.
Sistema Único de Saúde (SUS)
O Sistema Único de Saúde é a rede pública brasileira de atendimento à saúde. Sua atuação inclui serviços prestados diretamente pelo poder público e atendimentos complementares oferecidos por instituições privadas conveniadas.
Superior Tribunal de Justiça (STJ)
O Superior Tribunal de Justiça é um dos tribunais superiores do Brasil. Cabe à Corte, entre outras funções, uniformizar a interpretação da legislação federal em processos julgados pelas instâncias inferiores.

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