Gianni Infantino enfrenta críticas no Conselho da Fifa em Zurique
A reunião desta quinta-feira deve discutir repasses às federações, mudanças na governança e a disputa pela presidência, prevista para março de 2027.
Resumo em 30 segundos
O Conselho da Fifa se reúne nesta quinta-feira em Zurique, pela primeira vez desde abril, após críticas de confederações à gestão de Gianni Infantino. A pauta inclui propostas de aumento dos repasses às 211 federações filiadas, mudanças na governança, a Copa do Mundo de Clubes Feminina e questionamentos sobre o Prêmio da Paz da entidade.
Gianni Infantino deve enfrentar nesta quinta-feira (15), em Zurique, críticas de dirigentes de confederações continentais durante a reunião do Conselho da Fifa, pela primeira vez desde a crise que ameaçou sua permanência na presidência. O encontro, marcado para as 11h locais (6h em Brasília), também deve discutir o aumento dos repasses às federações e propostas de mudança na governança da entidade.
O Conselho é o órgão executivo da Federação Internacional de Futebol (Fifa) e reúne 37 integrantes: Infantino e outros 36 membros. Será a primeira reunião desde 28 de abril. A possibilidade de os opositores exigirem um voto de confiança contra o presidente foi descartada, e ele deve apresentar propostas próprias para alterar as regras de gestão da organização.
A tensão começou após um projeto, mantido em sigilo, para abrir a Copa do Mundo a investidores privados. Mesmo depois de Infantino abandonar a iniciativa, as confederações europeia (Uefa), da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e asiática (AFC) se uniram para pedir sua renúncia. As críticas ganharam força depois da Copa do Mundo de 2026, marcada por controvérsias e também por resultados comerciais considerados positivos.
Em 18 de setembro, Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, e Victor Montagliani, presidente da Concacaf, pediram à Fifa que destinasse ao menos US$ 10 milhões (cerca de R$ 50 milhões) de suas reservas a cada uma das 211 federações filiadas. A distribuição de recursos deve ser um dos principais temas da reunião. Como cada federação tem direito a um voto nas decisões eleitorais, os repasses também são considerados um fator de influência na disputa pela presidência.
Infantino deve propor um plano de desenvolvimento de US$ 6,35 bilhões (aproximadamente R$ 32 bilhões) para o ciclo de 2027 a 2030, equivalente a US$ 25 milhões (cerca de R$ 125,7 milhões) para cada federação. O valor representa um aumento em relação às previsões anteriores. Desde 2016, as Ilhas Turcas e Caicos receberam mais de US$ 20 milhões, acima dos US$ 17,8 milhões destinados à China ou ao Brasil, segundo documentos da Fifa.
As federações dissidentes ainda não apresentaram um candidato para enfrentar Infantino. O prazo para registrar candidaturas termina em 18 de novembro, e a eleição está prevista para 18 de março de 2027. Sem um nome para a disputa, os críticos podem buscar mudanças nas atribuições do Conselho. A Uefa propôs ampliar seus poderes e incluir representantes de outras partes interessadas, como a Associação de Clubes Europeus (ECA), presidida por Nasser Al-Khelaifi.
A reunião também deve tratar da primeira Copa do Mundo de Clubes Feminina, planejada para o início de 2028 nos Estados Unidos. O país sediou a Copa do Mundo de Clubes masculina de 2025 e receberá a Copa do Mundo de 2026.
Infantino ainda deve responder a questionamentos sobre o Prêmio da Paz da Fifa. A primeira entrega, no ano passado, a Donald Trump foi criticada, e os critérios e procedimentos da premiação não foram esclarecidos desde então. A Uefa também ameaça iniciar um processo por “gestão desleal” contra o presidente.
Para entender
- Conselho da Fifa
- Órgão executivo da Federação Internacional de Futebol, reúne o presidente da entidade e representantes das confederações continentais. Entre suas atribuições estão decisões sobre a gestão e as políticas da organização.
- Uefa
- União das Associações Europeias de Futebol, entidade que organiza e representa o futebol europeu. As associações nacionais filiadas participam de suas competições e de sua estrutura de governança.