Mosengo-Omba acusa Uefa, Concacaf e AFC de agenda contra Infantino
Véron Mosengo-Omba defendeu Gianni Infantino e criticou a oposição de três confederações à proposta comercial da Fifa.
Resumo em 30 segundos
Véron Mosengo-Omba, presidente da federação de futebol da República Democrática do Congo, acusou Uefa, Concacaf e AFC de terem uma “agenda oculta” contra Gianni Infantino. Ele defendeu uma proposta comercial da Fifa, disse apoiar o dirigente por seu desempenho e negou irregularidades em sua gestão na CAF e na eleição congolesa, contestada no CAS.
Véron Mosengo-Omba, presidente da Federação Congolesa de Futebol (Fecofa), afirmou que Uefa, Concacaf e Confederação Asiática de Futebol (AFC) têm uma “agenda oculta” contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino. A declaração foi feita ao comentar a reação das entidades a uma proposta comercial da Fifa, em meio à disputa que antecede a eleição presidencial da entidade, marcada para 2027.
Mosengo-Omba disse que as três confederações não são membros da Fifa e, por isso, não votam na eleição. “Eu, como presidente de uma associação-membro, tenho mais poder do que elas. Eu posso votar e fazer propostas. Elas não podem votar”, afirmou. Para ele, cabe às associações nacionais de cada região decidir sobre a gestão de Infantino.
O dirigente defendeu o projeto de exploração comercial apresentado pela Fifa, chamado FFE na entrevista, e comparou a iniciativa a acordos firmados por ligas europeias. Ele citou a venda de uma participação em direitos de televisão e marketing da La Liga para a CVC Partners e a operação da liga profissional francesa, que, segundo ele, envolveu 13% dos direitos e arrecadou 1,5 bilhão de euros.
“Quando aconteceu com essas duas ligas, as pessoas aplaudiram e disseram: ‘fantástico’. Quando o presidente Gianni tentou fazer o mesmo, tentaram destruí-lo”, declarou. Mosengo-Omba afirmou que a venda de parte dos direitos poderia gerar recursos para financiar o desenvolvimento do futebol, inclusive em países com menos dinheiro disponível.
Como exemplo, citou a República Democrática do Congo, país com quase 100 milhões de habitantes e 26 províncias. Segundo ele, a federação precisa de recursos para contratar técnicos e formar jogadores em diferentes regiões. O dirigente sugeriu ainda que confederações poderiam comprar participações no projeto, com a possibilidade de obter empréstimos de bancos africanos para financiar uma eventual aquisição da CAF.
A eleição da presidência da Fifa está prevista para 28 de março, em Rabat, no Marrocos. As candidaturas devem ser registradas até 28 de novembro. Infantino busca um quarto mandato; seu primeiro período à frente da entidade começou como substituto de Joseph Blatter.
Mosengo-Omba sustenta que o apoio a Infantino não decorre da amizade entre os dois. Eles se conhecem há mais de 30 anos e estudaram juntos na Suíça. O dirigente disse apoiar o presidente da Fifa porque, em sua avaliação, ele cumpriu compromissos e não cometeu irregularidades.
“Eu não apoio o Gianni por ele ser meu amigo. Apoio o Gianni porque, em primeiro lugar, ele cumpre o que promete”, afirmou. Mosengo-Omba acrescentou que criticaria Infantino caso considerasse que ele agiu de forma errada. Também declarou que o presidente da Fifa submeteu a proposta à aprovação da maioria das associações-membro e do Conselho da entidade.
O dirigente rebateu ainda acusações de irregularidades relacionadas ao período em que foi secretário-geral da Confederação Africana de Futebol (CAF) e à eleição recente na federação congolesa. Ele deixou o cargo na CAF em março e assumiu a presidência da Fecofa em maio. Contestadores da eleição recorreram ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), e Mosengo-Omba afirmou que aguardará o andamento do processo.
Sobre sua passagem pela CAF, atribuiu críticas a disputas internas pelo controle da entidade. Reconheceu que projetos como a Liga Africana de Futebol e o Campeonato Africano de Futebol Escolar não avançaram como esperava, mas negou ter cometido irregularidades. “Cometi erros, mas não violei os princípios da boa governança”, disse.
Na federação congolesa, afirmou ter iniciado mudanças na arbitragem e nos processos de contratação. Segundo ele, 70 árbitros passaram a receber contratos da entidade, com avaliação de desempenho e possibilidade de afastamento após notas baixas em partidas consecutivas. Mosengo-Omba também disse que a federação abriu seleções para preencher cargos com profissionais qualificados.
Ele relacionou o apoio a Infantino à ampliação da Copa do Mundo para 48 seleções e às oportunidades oferecidas às equipes africanas. A República Democrática do Congo voltou ao torneio após 52 anos, segundo Mosengo-Omba, que avaliou a campanha como positiva, mas disse ter ficado insatisfeito com o empate contra Portugal e com o jogo diante da Inglaterra. O dirigente afirmou que espera um resultado diferente na Copa de 2030, que será realizada na Espanha, em Marrocos e em Portugal.
Quem é quem
- Fifa
- A Federação Internacional de Futebol Associado é a entidade que administra o futebol em escala mundial. Organiza torneios internacionais, entre eles a Copa do Mundo, e reúne associações nacionais de futebol. Sua estrutura também inclui um conselho e processos eleitorais para a escolha da presidência.
- Confederação Africana de Futebol (CAF)
- A Confederação Africana de Futebol é a entidade que organiza e administra o futebol no continente africano. Reúne as associações nacionais da região e promove competições entre seleções e clubes, além de representar o futebol africano no cenário internacional.
- Federação Congolesa de Futebol (Fecofa)
- A Federação Congolesa de Futebol, conhecida pela sigla Fecofa, é a entidade nacional responsável pela administração do futebol na República Democrática do Congo. Representa o país em instâncias internacionais e supervisiona aspectos da organização da modalidade em âmbito nacional.