Fifa mantém RD Congo na Copa após caso de Lionel Mpasi
A entidade concluiu que o goleiro não estava habilitado, mas não puniu a seleção porque considerou que a queixa da Nigéria chegou fora do prazo.
Resumo em 30 segundos
A Fifa permitiu que Lionel Mpasi defendesse a República Democrática do Congo, embora o processo para trocar a seleção francesa pela congolesa não tenha sido concluído. Após a queixa da Nigéria, advogados apontaram que o goleiro era inelegível e que quatro jogos poderiam ser questionados. A entidade não aplicou sanções e a RD Congo disputou a Copa de 2026.
A Fifa permitiu que o goleiro Lionel Mpasi defendesse a República Democrática do Congo nas Eliminatórias e na Copa do Mundo de 2026, embora a entidade tenha identificado problemas no processo para que ele trocasse a seleção francesa pela congolesa. O caso veio à tona nesta terça-feira, 6, após a análise de documentos internos da organização.
Mpasi nasceu na França e atuou pelas seleções francesas de base. A Federação Congolesa de Futebol iniciou em 2021 o procedimento para mudar o vínculo esportivo do goleiro, mas a documentação não foi concluída. Mesmo assim, ele estreou pela seleção da RD Congo em fevereiro de 2022 e continuou sendo convocado.
A questão foi examinada depois que a Nigéria contestou a elegibilidade de jogadores congoleses. A seleção nigeriana havia sido eliminada pela RD Congo na disputa por uma vaga na repescagem intercontinental. Durante a análise, advogados da Fifa concluíram que Mpasi não estava habilitado a defender o Congo e apontaram que quatro partidas das Eliminatórias poderiam ser questionadas.
As alternativas discutidas incluíam punir a federação congolesa, atribuir uma vitória à Nigéria ou substituir a RD Congo pela equipe nigeriana na repescagem contra a Jamaica. Também foi considerada a possibilidade de não aplicar sanção, opção que prevaleceu. A justificativa foi que a reclamação da Nigéria chegou fora do prazo; a Fifa afirmou que a decisão da comissão disciplinar se tornou definitiva após a ausência de recurso.
O regulamento disciplinar da Fifa prevê derrota por W.O. e multa para uma equipe que escala um jogador inelegível após uma reclamação. Os advogados também teriam recomendado a suspensão de Mpasi por seis meses. Nenhuma dessas punições foi aplicada, e a seleção congolesa permaneceu na disputa.
A RD Congo venceu a Jamaica na repescagem intercontinental e se classificou para o Mundial. Na resposta sobre o caso, a Fifa disse que seus órgãos jurisdicionais são autônomos e que as decisões consideram os regulamentos e os fatos de cada processo. A entidade também declarou que o presidente Gianni Infantino não participou da análise da queixa nigeriana.
Mpasi integrou o elenco congolês na Copa. A seleção perdeu para Portugal e Colômbia, venceu o Uzbequistão e avançou no torneio, antes de ser eliminada pela Inglaterra na fase de 16 avos de final. A inscrição do goleiro no Mundial ocorreu apesar de a documentação para a mudança de seleção não ter sido concluída.
Para entender
- Elegibilidade esportiva
- É o cumprimento das regras que autorizam um atleta a representar uma seleção nacional. Jogadores que atuaram por uma equipe nacional podem, em determinadas circunstâncias, solicitar a troca de vínculo, seguindo os procedimentos previstos pela entidade responsável.
- Repescagem intercontinental
- É uma etapa classificatória que reúne seleções de diferentes confederações para definir vagas na Copa do Mundo. As equipes disputam confrontos eliminatórios, e as vencedoras garantem lugar no torneio.