Ânima e Yduqs lideram alta de ações de educação na semana
Os papéis subiram 50% e 28%, respectivamente, em meio à queda dos juros; investidores avaliam se a valorização pode continuar.
Resumo em 30 segundos
Ações de empresas de educação e saúde tiveram fortes altas na semana, com avanço de 50% da Ânima e de 28% da Yduqs. A queda dos juros pode favorecer companhias endividadas, mas desafios regulatórios e resultados de curto prazo limitam as perspectivas. No setor de educação, também há possibilidade de consolidação, sem negócio confirmado.
As ações de empresas de educação e saúde subiram nesta semana na Bolsa, em meio à queda das taxas de juros no Brasil. A Ânima (ANIM3) avançou 50% e a Yduqs (YDUQ3), 28%, enquanto investidores avaliam se os papéis ainda podem valorizar mais com a perspectiva de juros menores.
Também tiveram alta a Vitru (25%), a Dasa (24%), a Hapvida (17%) e a Rede D’Or (15%). Os percentuais se referem ao desempenho registrado na semana, sem indicação de que representem a cotação atual de cada ação.
No setor de educação, a avaliação de analistas é que empresas com ações descontadas, geração de caixa forte e possibilidade de reduzir dívidas podem se beneficiar de uma queda dos juros. O endividamento elevado também pode ampliar a sensibilidade dos papéis às taxas: com juros menores, o custo de financiamento tende a cair e o valor presente dos ganhos futuros pode aumentar.
Esse potencial, porém, convive com desafios para os resultados no curto prazo, incluindo questões regulatórias. O setor também pode passar por uma nova rodada de consolidação no ensino superior privado. A Cruzeiro do Sul é citada como possível participante de uma operação, e Vitru, Cogna e Ser Educacional aparecem entre as possíveis interessadas. Uma eventual combinação de empresas poderia ampliar escala e reduzir custos, mas não há indicação de que um negócio tenha sido fechado.
Na saúde, a Rede D’Or foi apontada como uma das empresas mais expostas ao cenário de juros em queda e como alternativa para atrair investidores estrangeiros. A análise considera, contudo, que a companhia teria menos espaço para revisões positivas de resultados do que outras empresas caso as taxas recuem.
A Hypera também entrou nas avaliações do setor. Para o terceiro trimestre, o Itaú BBA estimou crescimento de 5% nas vendas ao consumidor final de seu portfólio tradicional, abaixo da expectativa de 7% a 8% atribuída ao mercado, devido à demanda mais fraca por remédios contra gripe e resfriado. O lançamento do Semavy, medicamento à base de semaglutida, pode apoiar a receita, enquanto despesas promocionais e mudanças no mix de produtos podem pressionar as margens.
Em análise separada, o Citi projetou um trimestre misto para a Hypera e estimou Ebitda ajustado de R$ 778 milhões. O banco elevou o preço-alvo da ação de R$ 28 para R$ 30 e manteve recomendação de compra. A projeção considera aumento da produção do Semavy, mas também fraqueza nas vendas de medicamentos para gripe e pressão de custos.
O movimento das ações ocorre em um contexto de atenção dos investidores à trajetória dos juros e aos resultados das empresas. A queda das taxas pode favorecer companhias endividadas, mas a valorização registrada nesta semana não garante novas altas.
Para entender
- Juros e valor presente
- O valor presente estima quanto valem hoje ganhos que uma empresa poderá obter no futuro. Quando as taxas de juros caem, esses ganhos futuros podem valer mais na avaliação dos investidores. Juros menores também podem reduzir o custo de financiamento de empresas endividadas.