França mobiliza 70 mil agentes para protestos dos coletes amarelos
A operação terá veículos blindados e caminhões com canhões de água; estudantes também devem participar dos atos contra o custo de vida e por melhorias nas escolas.
Resumo em 30 segundos
O governo francês anunciou a mobilização de 70 mil policiais e gendarmes para os protestos previstos para sábado, convocados pelos coletes amarelos e por estudantes. A operação inclui veículos blindados e caminhões com canhões de água. As manifestações ocorrem após distúrbios na semana passada e em meio a reivindicações sociais e estudantis.
O governo da França anunciou nesta sexta-feira, 23, que mobilizará 70 mil policiais e gendarmes para acompanhar os protestos previstos para sábado. A manifestação foi convocada pelos coletes amarelos e por estudantes do ensino médio, em meio a uma onda de mobilizações contra o custo de vida e por melhores condições de estudo.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, informou que a operação também contará com cerca de 20 veículos blindados da gendarmaria e 15 caminhões policiais equipados com canhões de água. Ele afirmou que as autoridades identificaram chamados de grupos de extrema esquerda e publicações nas redes sociais que incentivariam atos de vandalismo e saques.
O governo atribui os episódios de violência registrados na semana passada a pequenos grupos de extrema esquerda, incluindo antifascistas e anarquistas, além de pessoas que teriam aproveitado a situação para saquear lojas. Os distúrbios ocorreram à margem de manifestações contra a alta do custo de vida, que reuniram também estudantes.
Os protestos dos coletes amarelos, movimento que já mobilizou grandes manifestações durante o primeiro mandato do presidente Emmanuel Macron, voltam a ocorrer em um momento de tensão social. Os estudantes reivindicam melhores condições nas escolas desde setembro e denunciam a falta de professores, a deterioração das salas de aula e a falta de transparência do Parcoursup, sistema de acesso ao ensino superior.
Macron se reunirá nesta sexta-feira com organizações estudantis. Pierre Sourzat, da organização Lycéens, disse que espera pouco do encontro: “Ele vai nos ouvir, fingir que entendeu e depois não vai acontecer nada”. Na quinta-feira, milhares de estudantes do ensino médio e universitários marcharam em Paris, apesar de uma tentativa das autoridades de impedir o ato.
A oposição de esquerda e sindicatos criticam a resposta do governo, que consideram excessivamente repressiva diante das reivindicações sociais. Macron afirmou que as manifestações serão permitidas quando forem organizadas por atores que considera legítimos, como sindicatos. Em Paris, a central sindical CGT pediu autorização para o protesto.
Comerciantes temem novos saques e alguns protegeram vitrines com tábuas ou avaliam fechar as lojas. O presidente das Câmaras de Comércio e Indústria da França afirmou ter visto tacos de beisebol, barras de ferro e espingardas de caça e recomendou que os estabelecimentos baixem as portas e deixem a polícia agir. Os museus do Louvre, Orsay e Picasso ficarão fechados no sábado.
O governo anunciou que apresentará medidas na segunda-feira, mas enfrenta limites enquanto tenta aprovar um ajuste fiscal para 2027 e reduzir a dívida e o déficit públicos. A França também se prepara para escolher o sucessor de Macron em seis meses.
Para entender
- Parcoursup
- É a plataforma nacional usada na França para organizar candidaturas e admissões no ensino superior. Estudantes a mencionam entre as reivindicações por considerarem que o sistema não é suficientemente transparente.