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Sábado, 17 de outubro de 2026

Protestos na França provocam incêndio e confrontos em várias cidades

A mobilização reuniu cerca de 33 mil pessoas em 140 ações fora de Paris; ao menos 166 foram presas, segundo o Ministério do Interior francês.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Bombeiros atuam diante de um prédio danificado em uma rua de Lyon. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Bombeiros atuam diante de um prédio danificado em uma rua de Lyon.
Resumo em 30 segundos

Manifestações contra o custo de vida, os preços dos combustíveis e as condições de ensino ocorreram neste sábado em várias cidades francesas. Em Lyon, uma filial do escritório de turismo foi saqueada e incendiada. A polícia dispersou grupos com gás lacrimogêneo e canhões de água, enquanto autoridades relataram danos e confrontos em outras cidades.

Uma filial do escritório de turismo de Lyon foi saqueada e incendiada neste sábado na Place Bellecour, durante uma jornada de protestos contra o alto custo de vida na França. A polícia usou canhões de água e gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes que lançavam objetos e fogos de artifício contra os agentes e impediam a atuação dos bombeiros.

A prefeitura de Rhône afirmou que as forças de segurança atuavam para afastar grupos violentos, porque pessoas hostis dificultavam o trabalho dos bombeiros. Após a dispersão, parte dos manifestantes se concentrou em uma ponte próxima à praça. Não foram informados detalhes sobre feridos nem sobre a extensão dos danos ao prédio.

Os atos ocorreram em várias cidades e reuniram coletes amarelos, estudantes do ensino médio, agricultores, professores, ativistas climáticos e aposentados. A convocação usou o lema “Amarelos e Jovens” e expressou reivindicações ligadas ao poder de compra, ao preço dos combustíveis e às condições de ensino. Segundo o Ministério do Interior, cerca de 33 mil pessoas participaram de 140 ações fora da região de Paris, e pelo menos 166 foram presas em todo o país.

Em Paris, a principal concentração ocorreu na Praça da República. A polícia lançou gás lacrimogêneo contra pessoas encapuzadas que atiravam fogos de artifício e outros objetos. Por determinação policial, foram fechadas diversas estações de metrô nas proximidades da Champs-Élysées, do Palácio do Eliseu e do Parlamento. O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, convocou a célula de crise do governo para acompanhar os acontecimentos.

O gabinete do ministro do Interior, Laurent Nuñez, relatou episódios de violência em Paris, Marselha, Rennes, Toulouse e Angers, como ataques a policiais, tentativas de saque e incêndios de mobiliário urbano. Em Marselha, lojas e uma delegacia municipal foram danificadas, e manifestantes entraram por pouco tempo no saguão da prefeitura. O prefeito, Benoît Payan, descreveu os danos como “limitados”.

As autoridades atribuíram os distúrbios ao que chamaram de “ultra esquerda”. Nuñez autorizou o uso de granadas atordoantes, que haviam sido suspensas durante protestos estudantis após um adolescente de 15 anos perder uma mão. O alcance da mobilização ainda era incerto: as convocações circularam principalmente pelas redes sociais e, em sua maioria, não foram comunicadas às autoridades. A jornada também coincidiu com o início de duas semanas de férias escolares.

Os estudantes do ensino médio participam de protestos desde o fim de setembro, cobrando melhores condições na educação. Em Paris, Lola, manifestante de 19 anos, afirmou que os atos expressam insatisfação com o custo de vida e o combustível, além de reivindicações por mais professores e condições dignas de ensino. Jovens presentes na capital disseram que eram “pacifistas” e que buscavam promover mudanças.

Na sexta-feira, o presidente Emmanuel Macron pediu calma e disse que o direito de manifestação deve ser exercido com respeito, sem insultos nem danos. A mobilização acontece a seis meses da eleição presidencial que escolherá seu sucessor, em meio à pressão sobre o governo e à discussão do orçamento de 2027 no Parlamento.

A proposta orçamentária prevê um ajuste fiscal de € 54 bilhões, equivalente a cerca de R$ 300 bilhões, para reduzir o déficit das contas públicas. Nos últimos dias, Lecornu anunciou recursos adicionais para a agricultura em 2027, a liberação de 10 milhões de barris de diesel para tentar reduzir os preços e ajuda a cidades rurais. Sindicatos, porém, pedem medidas sobre salários e congelamento dos preços dos combustíveis.

Os protestos também reacendem a lembrança dos coletes amarelos, movimento que ganhou força em 2018 e 2019 contra um aumento previsto de imposto sobre combustíveis. Naquela ocasião, manifestações e confrontos tiveram repercussão nacional; o movimento perdeu força depois que Macron anunciou cortes de impostos. Uma pesquisa do instituto Elabe, realizada em meados de setembro, indicou que dois terços dos franceses apoiariam uma retomada dos protestos.

Para entender

Coletes amarelos
Movimento de protesto que ganhou força na França em 2018, inicialmente contra um aumento previsto de imposto sobre combustíveis. As manifestações se ampliaram para reivindicações ligadas ao poder de compra e à insatisfação com o governo.

Fontes: O Globo

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