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Terça-feira, 6 de outubro de 2026

França testa míssil nuclear M51.3 lançado de submarino no Atlântico

O disparo sem ogivas foi acompanhado por Emmanuel Macron e ocorreu em meio ao debate europeu sobre dissuasão nuclear e segurança diante da Rússia.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Rastro de fumaça de um míssil subindo sobre o oceano Atlântico durante um teste. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Rastro de fumaça de um míssil subindo sobre o oceano Atlântico durante um teste.
Resumo em 30 segundos

A França testou no Atlântico o M51.3, míssil balístico lançado de submarinos e capaz de transportar até seis ogivas nucleares. O teste, sem ogivas, foi acompanhado pelo presidente Emmanuel Macron. O lançamento ocorre enquanto países europeus discutem cooperação nuclear e formas de reduzir a dependência militar dos Estados Unidos.

A França testou nesta terça-feira (6) o míssil balístico M51.3, lançado de submarinos e desenvolvido para transportar ogivas nucleares. O disparo ocorreu no oceano Atlântico, ao largo da costa da Bretanha, com o presidente Emmanuel Macron acompanhando a operação a bordo da fragata Auvergne; o míssil foi lançado pelo submarino nuclear Le Vigilant.

O teste foi realizado sem ogivas e teve como objetivo verificar o funcionamento do modelo, que entrou em serviço em outubro do ano passado. Macron descreveu o lançamento como “uma mensagem alta e clara para quem quiser ouvir”, em referência às tensões com a Rússia. Na semana passada, o presidente russo e outras autoridades fizeram declarações sobre armas nucleares após o chanceler polonês defender que a Otan pressionasse militarmente Moscou em Kaliningrado, território russo às margens do mar Báltico.

Segundo dados divulgados pelo fabricante Ariane e pela Marinha francesa, o M51.3 tem alcance de até 10 mil quilômetros e pode levar até seis ogivas nucleares TNO-2. Cada uma teria potência estimada em cerca de 150 quilotons — aproximadamente dez vezes a da bomba lançada sobre Hiroshima. O míssil é parte da capacidade de dissuasão nuclear francesa, destinada a desencorajar ataques ao país pela possibilidade de uma resposta devastadora.

A França mantém quatro submarinos estratégicos, que carregam a maior parte de seu arsenal nuclear operacional. Estimativas citadas pela matéria atribuem a eles cerca de 240 das 290 ogivas disponíveis; as demais podem ser lançadas por caças Rafale, por meio de mísseis de cruzeiro. O país também possui 80 bombas aposentadas que ainda não foram desmontadas. O arsenal francês é apontado como o quarto maior do mundo, atrás dos da Rússia, dos Estados Unidos e da China.

Embora seja membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a França mantém controle próprio sobre suas armas nucleares. Macron afirmou que esse sistema está sendo integrado ao do Reino Unido, outro integrante europeu da aliança com armamento nuclear, e declarou: “Juntos somos mais fortes”. A manutenção do arsenal francês custa R$ 30 bilhões por ano, segundo a reportagem.

Neste ano, Macron propôs ampliar a cooperação nuclear com outros países europeus. Dez nações demonstraram interesse, entre elas a Finlândia. A iniciativa prevê exercícios conjuntos e a possibilidade de posicionar caças Rafale armados em países parceiros, caso necessário. A Rússia criticou o plano e afirmou que ele aumenta os riscos de confronto.

A discussão ocorre em meio à preocupação europeia com a continuidade do apoio militar dos Estados Unidos. A política externa do presidente Donald Trump e suas posições sobre a defesa dos aliados levaram países europeus a discutir como reduzir a dependência de Washington. A guerra da Rússia contra a Ucrânia, iniciada em 2022, também elevou a percepção de risco no continente.

A Rússia tem um arsenal nuclear muito maior, com mais de 5.000 ogivas no total e quase 1.800 prontas para uso, segundo os dados citados. Apesar das ameaças e da disputa sobre a segurança europeia, Vladimir Putin negou repetidamente ter intenção de atacar países da Otan. Um ataque desse tipo poderia levar a uma escalada nuclear, razão pela qual a capacidade de dissuasão segue no centro das discussões de defesa na Europa.

Para entender

Dissuasão nuclear
Estratégia baseada na ameaça de uma resposta nuclear para desencorajar um ataque. A lógica é que um adversário evitaria iniciar um conflito se esperasse sofrer consequências devastadoras. A França mantém um arsenal próprio como parte de sua política de defesa.
M51.3
Versão do míssil balístico francês M51, projetado para lançamento a partir de submarinos estratégicos. A série M51 integra a força nuclear da França e pode transportar múltiplas ogivas, que se separam do míssil durante o voo.

Fontes: Folha de S.Paulo

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