Flávio Dino critica violência e pede respeito nas eleições
Após imagens de um homem negro acorrentado em ato de campanha, o Ministério da Igualdade Racial pediu a apuração do episódio a órgãos públicos.
Resumo em 30 segundos
O ministro do STF Flávio Dino criticou agressões, intimidações e símbolos nazistas em disputas eleitorais e pediu respeito entre adversários. A manifestação ocorreu após a circulação de imagens de um homem negro acorrentado em um ato de campanha de Flávio Bolsonaro, no Rio. O Ministério da Igualdade Racial encaminhou pedidos de apuração a órgãos públicos.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino pediu respeito entre adversários políticos e criticou manifestações de violência e intimidação nas eleições, em publicação feita nesta segunda-feira (26). Sem mencionar candidatos, afirmou que práticas como agressões, símbolos nazistas e pessoas acorrentadas são ilegais e não devem integrar disputas políticas.
A mensagem foi publicada após a circulação de imagens de um ato de encerramento da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), realizado no sábado, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. No vídeo, um homem negro aparece acorrentado e com adesivos e inscrições alusivas ao PT, enquanto segura um tridente. Outro manifestante segura a corrente e faz ofensas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, então adversário de Flávio Bolsonaro na disputa.
As imagens circularam nas redes sociais no domingo, dia da votação. O Ministério da Igualdade Racial informou que, também no domingo, enviou ofícios ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e à Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, pedindo a apuração do episódio. Em nota, a pasta classificou como inaceitável a humilhação de uma pessoa negra acorrentada e ressaltou o peso histórico da representação em um país marcado pela escravidão.
Na publicação, Dino também defendeu o pluralismo político, princípio previsto na Constituição, e pediu que diferentes setores da sociedade contribuam para reduzir tensões. “Desejo que a sociedade civil, os agentes de mercado, os profissionais das várias áreas, a classe trabalhadora, as empresas de mídia, os líderes religiosos, cada um no seu espectro de atuação, sejam portadores de mensagens de paz e ponderação, em um mundo tão conflagrado por extremismos e egoísmos, que nada constroem”, escreveu.
O ministro citou ainda sua participação, em 1984, na campanha das Diretas Já, movimento que defendia eleições diretas para a Presidência após a ditadura militar. Para ele, a realização continuada de eleições demonstra a persistência da democracia brasileira, apesar das rupturas institucionais do país. “Em um país marcado por tantas rupturas institucionais desastrosas, essa persistência democrática deve sempre ser enaltecida”, afirmou.
A Constituição reconhece o pluralismo político como um dos fundamentos da República, assegurando a convivência de diferentes ideias e correntes políticas. Dino afirmou que a sociedade deve preservar esse princípio e o respeito entre compatriotas, em vez de recorrer a intimidações e agressões durante o processo eleitoral.