Flávio Bolsonaro tem queda de votos em 585 cidades do Nordeste
No segundo turno, Lula venceu nos nove estados da região, com 69,37% dos votos válidos; Flávio perdeu participação proporcional em 1.197 municípios.
Resumo em 30 segundos
Lula venceu nos nove estados do Nordeste e ampliou sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro em 1.771 dos 1.794 municípios. O senador teve menos votos absolutos que no primeiro turno em 585 cidades e perdeu participação nos votos válidos em 1.197. A variação foi desigual entre estados e municípios.
Luiz Inácio Lula da Silva venceu nos nove estados do Nordeste e obteve 69,37% dos votos válidos da região no segundo turno da eleição presidencial de 2026. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 30,63%. O senador teve menos votos absolutos que no primeiro turno em 585 dos 1.794 municípios nordestinos; considerando a proporção de votos válidos, perdeu participação em 1.197 cidades.
A queda em votos absolutos ocorreu em cerca de um terço dos municípios da região. Já a redução proporcional foi mais disseminada: atingiu aproximadamente dois terços das cidades, incluindo Salvador, Natal e Aracaju. Lula ampliou a vantagem sobre Flávio em 1.771 municípios, o equivalente a 98,7% do total.
Os resultados mostram que a mudança entre os turnos não foi uniforme. Em Rafael Godeiro, no sertão do Rio Grande do Norte, Flávio recebeu 1.268 votos no primeiro turno e 988 no segundo, uma redução de 280. Na mesma cidade, a vantagem de Lula cresceu 20 pontos percentuais. A prefeita Ludmila Amorim (MDB), que havia apoiado Flávio, passou a apoiar Cadu de Lula (PT), candidato ao governo estadual, na etapa final.
A maior quantidade de municípios em que Flávio perdeu votos ficou no Maranhão: isso ocorreu em 171 das 217 cidades, cerca de oito em cada dez. O governador eleito Eduardo Braide (PSD) foi procurado por bolsonaristas, mas permaneceu neutro no segundo turno. Em Alagoas, a votação do senador caiu em 72,5% dos municípios; no Piauí, em 49,1%; e no Rio Grande do Norte, em 46,7%.
Na Bahia, Flávio teve menos votos que no primeiro turno em apenas dez cidades. O apoio do candidato derrotado ao governo, ACM Neto (União Brasil), ajudou a conter as perdas, embora, em Salvador, o senador tenha recuado proporcionalmente e Lula tenha avançado oito pontos percentuais.
A disputa pelo governo do Rio Grande do Norte teve reflexos diferentes da eleição presidencial. No primeiro turno, Allyson Bezerra (União Brasil) ficou à frente por margem estreita, seguido por Cadu de Lula; Álvaro Dias (PL), apoiado por Flávio, terminou em terceiro. No segundo turno estadual, Cadu venceu. Com o bolsonarismo fora da disputa local, Lula aumentou sua vantagem em todos os municípios potiguares, inclusive em áreas onde prefeitos apoiavam o senador.
Quatro das cinco cidades nordestinas em que Lula mais cresceu ficam no Rio Grande do Norte: Rafael Godeiro, São Tomé, Lajes Pintadas e Espírito Santo. Em três, os prefeitos apoiaram Flávio. A economista e cientista política Luciana Santana, professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), relaciona o avanço de Lula à identificação histórica de parte do eleitorado nordestino com o presidente, à mobilização para levar eleitores às urnas e à capacidade de conquistar novos votos. Ela afirmou que campanha digital, contato presencial e lideranças locais também podem ter contribuído.
A análise dos municípios indica limites para a transferência de votos por lideranças políticas. “A influência de uma liderança local não equivale ao controle do voto presidencial. Redes políticas podem ser eficientes para eleger seus representantes e, ao mesmo tempo, encontrar limites para transferir apoio a uma candidatura nacional”, disse Santana.
Alagoas concentrou sete das dez cidades nordestinas em que Lula ultrapassou Flávio entre os turnos. Em Barra de São Miguel, o senador começou na frente, com 48,98%, contra 45,74% do petista. No segundo turno, Lula obteve 52,05%, e Flávio, 47,95%. O prefeito Henrique Alves (PP) havia anunciado apoio ao candidato do PL nas redes sociais, mas não há registro de atos de campanha dele na etapa final.
Em Teotônio Vilela, governada por Peu Pereira (PP), primo do senador eleito Arthur Lira (PP), Lula já havia vencido no primeiro turno e ampliou a vantagem em dez pontos percentuais no segundo. Em São Miguel dos Campos, o prefeito George Clemente (MDB) apoiou Lula na primeira etapa, mas Flávio recebeu mais votos; depois, Clemente declarou apoio ao senador, sem impedir a vitória do petista na cidade.
No conjunto da região, Lula também teve recuos pontuais. O presidente recebeu menos votos que no primeiro turno em 19 municípios, mas sua participação proporcional caiu em apenas quatro: Belo Monte (AL), Santo Antônio de Lisboa (PI), Caldeirão Grande (BA) e Nova Ibiá (BA).
Para entender
- Votos válidos
- São os votos dados a candidatos. Votos brancos e nulos não entram nesse cálculo, usado para medir a proporção obtida por cada candidatura entre os votos que efetivamente escolheram um nome.