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Quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Flávio Bolsonaro recebe vistos dos EUA após ordem sobre passaportes

O Departamento de Estado confirmou a emissão dos documentos para o senador e seus familiares, mas não esclareceu se eles já estão em território americano.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Passaporte brasileiro e documento de visto dos Estados Unidos sobre uma mesa, com balcão de imigração ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Passaporte brasileiro e documento de visto dos Estados Unidos sobre uma mesa, com balcão de imigração ao fundo.
Resumo em 30 segundos

O governo dos Estados Unidos anunciou que concederá vistos a Flávio Bolsonaro e a seus familiares. A confirmação ocorreu após ordem judicial para o senador entregar os passaportes e não deixar o Brasil. A Polícia Federal cancelou os documentos; investigadores dizem não haver registro formal de saída do país.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (27) que concederá vistos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a seus familiares, permitindo que entrem no país. A confirmação veio após Flávio ser intimado a entregar os passaportes comum e diplomático e receber uma ordem judicial que o proibia de deixar o Brasil, no âmbito de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro.

O deputado democrata Joaquin Castro, integrante da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, cobrou explicações do governo de Donald Trump sobre a decisão. “Perder uma eleição não é motivo para asilo”, afirmou. Castro também disse que a administração americana deveria explicar ao Congresso seu papel em ajudar Flávio a deixar o Brasil, o que, segundo ele, violaria a legislação brasileira.

A confirmação do governo americano não esclarece se Flávio já estava em território dos Estados Unidos no momento do anúncio. Uma informação publicada nesta terça-feira indicou que ele teria chegado ao país acompanhado da mulher e das duas filhas. No entanto, segundo investigadores, não havia registro formal de saída do senador do Brasil, que normalmente seria feito em um posto de migração.

A Polícia Federal cancelou os passaportes de Flávio depois que ele não entregou os documentos no prazo determinado. A ordem de entrega foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também proibiu o senador de deixar o país. A medida foi tomada diante do que Moraes classificou como risco de evasão.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que não planejava deixar o Brasil e que cumpriria a determinação de entregar os passaportes. Ele disse que foi intimado ao sair da casa do pai, Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, e classificou a decisão como uma tentativa de intimidá-lo. A equipe jurídica do senador havia marcado um encontro para recolher os documentos, mas não conseguiu localizá-lo, segundo advogados.

A possibilidade de Flávio viajar ao exterior ganhou força após sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial. Antes do resultado, seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos desde 2025, havia defendido que Flávio deixasse o país se perdesse a disputa.

Flávio é investigado em dois inquéritos no STF. Um apura suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz; o outro examina recursos destinados ao filme “Dark Horse”, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. O senador mantém mandato até fevereiro de 2027. Em março de 2025, o STF decidiu que investigações relacionadas a crimes supostamente cometidos durante o exercício do cargo podem permanecer na Corte mesmo após o fim do mandato, desde que atendam aos critérios definidos pelos ministros.

A cobrança de Castro ocorre às vésperas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro. O deputado afirmou que o Congresso americano deve fiscalizar a atuação do governo Trump no caso.

Fontes: Valor Econômico, O Globo, Folha de S.Paulo

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