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Quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Flávio Bolsonaro perde apoio da direita após contestar eleição

Carta em que se declarou “verdadeiro presidente eleito” foi rejeitada pelo PL e por aliados, enquanto pesquisa apontou queda nas menções positivas ao senador.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Urnas e materiais eleitorais em uma sala de apuração. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Urnas e materiais eleitorais em uma sala de apuração.
Resumo em 30 segundos

Após contestar o resultado da eleição em uma carta divulgada nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro enfrentou críticas de aliados, do PL e de políticos da direita. Um monitoramento de redes sociais indicou queda nas menções positivas ao senador. Especialistas avaliam que a iniciativa busca levar a disputa eleitoral ao cenário internacional.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na eleição presidencial, ficou isolado entre aliados após divulgar uma carta em que se declarou “verdadeiro presidente eleito” e, depois, alterou a expressão para “líder do Brasil”. A reação à contestação do resultado ocorreu enquanto ele estava nos Estados Unidos, para onde havia deixado o Brasil, e incluiu integrantes da direita, seu partido e políticos que participaram de sua campanha.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, reafirmou a legitimidade do processo e proclamou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse entender a “indignação e revolta” de Flávio, mas defendeu que o resultado seja respeitado. Em entrevista, Tarcísio afirmou também que aconselhou o senador a permanecer no Brasil.

A direção do Partido Liberal (PL) também se distanciou da carta. O presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira que ninguém aprovou o texto e que o partido pretende “tocar o país para frente” e seguir com suas atividades. Ele disse ainda que Jair Bolsonaro não sabia que o filho deixaria o Brasil. Costa Neto relatou ter visitado o ex-presidente, que está em prisão domiciliar, após receber autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A saída do senador também coincidiu com uma queda nas avaliações positivas sobre ele nas redes sociais. Um monitoramento da consultoria AP Exata, concluído na noite de quarta-feira, apontou recuo das menções positivas a Flávio, de 39,73% para 34,19% desde a eleição. O índice de confiança registrado para o senador foi de 13,58%, abaixo dos 16,57% atribuídos a Lula; a proporção de menções associadas a medo foi de 20,79% para Flávio e 14,91% para o presidente.

Segundo a análise da consultoria, a repercussão interna da carta e da saída do país tem sido mais negativa do que positiva para o senador, enquanto a percepção sobre Lula mostra tendência de melhora. O levantamento também registrou avaliação negativa do governo: 41,1% de menções classificadas como “ruim” ou “péssimo”, contra 34,8% como “ótimo” ou “bom”.

A cientista política Denilde Holzhacker avaliou que a carta busca levar a disputa eleitoral brasileira ao cenário internacional. Para ela, Flávio tenta questionar a legitimidade da eleição e obter apoio de governos e lideranças próximos ideologicamente, embora vários governos, inclusive na América Latina, já tenham reconhecido o resultado. Holzhacker disse que as alterações feitas no texto ao longo da quarta-feira expõem fragilidades na tentativa de contestar a votação.

A professora também apontou risco de pressão diplomática e de medidas econômicas por parte do governo de Donald Trump, diante da atuação conjunta de Flávio e de seu irmão Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde o ano passado. Trump afirmou que não iria “se envolver” no assunto quando questionado sobre a autoproclamação. Ainda assim, observadores nos dois países não descartam novas iniciativas americanas relacionadas ao Brasil.

O Pacto pela Democracia, coalizão que reúne mais de 230 organizações da sociedade civil, divulgou nota reconhecendo a vitória de Lula e ressaltando a segurança e a possibilidade de auditoria do sistema eletrônico de votação. O grupo também manifestou preocupação com propostas de anistia a responsáveis por atos golpistas e afirmou que o fim da eleição não encerra os desafios à democracia.

Na avaliação da coalizão, a governabilidade de Lula será desafiada pelo fortalecimento da extrema-direita no Congresso e pela divisão social e pelo descrédito nas instituições. A entidade defendeu acompanhamento permanente da sociedade civil para evitar que ações contra a ordem constitucional afetem o Estado Democrático de Direito.

Para entender

Tribunal Superior Eleitoral
O TSE é o órgão máximo da Justiça Eleitoral brasileira. Entre suas atribuições estão organizar e supervisionar as eleições nacionais, julgar questões eleitorais e proclamar os resultados oficiais.

Fontes: Valor Econômico

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