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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Feito Pipa representa o Brasil na disputa por vaga no Oscar 2027

Escolhido pela Academia Brasileira de Cinema, o longa ainda precisa avançar nas próximas etapas para chegar à lista de indicados ao Oscar.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Um menino e sua avó compartilham um momento de carinho em uma cozinha colorida. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Um menino e sua avó compartilham um momento de carinho em uma cozinha colorida.
Resumo em 30 segundos

Dirigido por Allan Deberton, Feito Pipa acompanha Gugu, um menino que encontra apoio na avó Dilma, que vive com Alzheimer, enquanto enfrenta conflitos com o pai. Lázaro Ramos, Yuri Gomes e Teca Pereira comentaram a construção dos personagens e os temas do filme, que está em cartaz nos cinemas brasileiros.

“Feito Pipa” foi escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar 2027. Dirigido por Allan Deberton, o longa acompanha Gugu, um menino que enfrenta conflitos familiares e encontra apoio na avó, Dilma, enquanto ela vive com Alzheimer. A história também aborda envelhecimento, paternidade e respeito às diferenças. O filme está em cartaz nos cinemas de todo o Brasil.

Yuri Gomes interpreta Gugu, Lázaro Ramos vive Batista, pai do garoto, e Teca Pereira faz Dilma. Na trama, Batista tem dificuldade para aceitar as particularidades do filho, enquanto a relação entre Gugu e a avó é marcada por carinho e cumplicidade. A escolha do longa pela Academia Brasileira de Cinema o colocou na disputa por uma indicação ao Oscar, mas ainda não significa que ele esteja entre os finalistas ou concorrendo à estatueta.

Ramos disse que usou como referência sua experiência como pai para compor os momentos de afeto entre Batista e Gugu. A princípio, imaginava que o personagem demonstraria menos carinho, mas mudou de ideia durante os ensaios. “Não, tem que ter amor. É claro que ele ama essa criança, né?”, contou sobre a decisão de construir essa dimensão do pai.

O ator resumiu em uma palavra o conselho que daria a Batista: “Relaxa”. Em seguida, disse que o personagem deveria olhar para o filho e reconhecer que ele sabe que merece amor e respeito por ser quem é. Ramos também falou sobre o cuidado nas cenas mais tensas, sobretudo por envolverem crianças. Segundo ele, a equipe deixava claro aos jovens atores que estavam encenando uma história e não deveriam sofrer de verdade.

Gugu não se preocupa com convenções que definem roupas e cores como próprias de meninos ou meninas. Gomes afirmou que essas divisões são desnecessárias e que não há uma ordem que determine o que cada criança pode usar. A produção também trata de bullying: Deberton disse que uma cena em que Gugu praticava bullying contra outro personagem foi retirada da abordagem inicialmente planejada, porque a equipe concluiu que ela não transmitia a mensagem desejada.

O jovem ator participou de uma atividade de criação com a diretora de elenco Luciana Vieira e a assistente Andrea Pires. Gomes contou que os três escreveram ideias em folhas e as organizaram na parede; depois, ele apresentou o material a Ramos. O ator mais experiente disse que criou uma identificação imediata com o colega durante os ensaios em Fortaleza. A convivência com Pereira também ajudou a desenvolver a proximidade entre Gugu e Dilma na tela.

A personagem de Pereira vive com Alzheimer, mas não é retratada apenas pela doença. Ela tem personalidade forte, alegria e vontade de aproveitar a vida. A atriz disse que a vivacidade de Dilma foi importante para a construção do papel e destacou a troca com Gomes, a quem descreveu como talentoso e comprometido durante as filmagens.

Deberton afirmou que buscou apresentar a velhice com energia, música e novas experiências, em contraste com a solidão que pode acompanhar essa etapa da vida. No filme, Dilma participa de passeios e atividades e mantém interesse por relacionamentos. O diretor disse que queria mostrar uma personagem idosa com desejo de viver, sem limitar sua trajetória à doença ou ao isolamento.

A história combina a condição da avó com os desafios de Gugu na relação com o pai. Deberton afirmou que o roteiro reunia situações duras, mas que a narrativa precisava conquistar o público aos poucos, por meio de gestos cotidianos e momentos de leveza. O diretor também destacou improvisos incorporados ao filme, como uma sequência na cozinha, que, segundo Pereira, mostra o respeito e a diversão compartilhada entre avó e neto.

A escolha para representar o Brasil também foi comentada por Ramos. O ator afirmou que a decisão pode ampliar a visibilidade do longa, que, segundo ele, não teve a estrutura de uma produção gigantesca. Ele avaliou que a presença de “Feito Pipa” na seleção apresenta ao público internacional outra região, outros rostos e uma perspectiva diferente do cinema brasileiro em relação a “O Agente Secreto” e “Ainda Estou Aqui”.

A indicação do país é uma etapa da seleção do Oscar: o filme escolhido passa a representar o Brasil na disputa por uma vaga, mas precisa avançar nas fases seguintes para chegar à lista de indicados. O longa segue em cartaz nos cinemas brasileiros. As informações divulgadas sobre a produção não detalham disponibilidade em plataformas de streaming.

Fontes: Estadão

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