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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Feito pipa estreia nos cinemas e disputa indicação ao Oscar

Escolhido para representar o Brasil, o longa acompanha um menino do sertão cearense que vai morar com o pai; a lista de 15 pré-selecionados sai em 15 de dezembro.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Menino solta uma pipa em uma paisagem rochosa do sertão cearense. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Menino solta uma pipa em uma paisagem rochosa do sertão cearense.
Resumo em 30 segundos

Dirigido por Allan Deberton, o drama acompanha Gugu, um menino queer criado pela avó no sertão cearense. Quando ela começa a apresentar sinais de demência, ele precisa morar com o pai conservador. O longa estreia nos cinemas brasileiros em 5 de novembro e representa o país na disputa por uma indicação ao Oscar de melhor filme internacional.

“Feito pipa”, drama dirigido por Allan Deberton, chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 5, e representa o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar de melhor filme internacional. O longa acompanha Gugu, um menino queer do sertão cearense, criado pela avó, que precisa ir morar com o pai quando ela começa a apresentar sinais de demência.

Gugu, interpretado por Yuri Gomes, gosta de dançar e usar maquiagem, mas também sonha em ser jogador de futebol. Na casa da avó, Dilma (Teca Pereira), ele vive com liberdade e afeto. A mudança o coloca diante de Batista (Lázaro Ramos), seu pai conservador, que ama o filho, mas tem dificuldade para aceitar sua personalidade.

A história aborda identidade, relações familiares e masculinidade sem conduzir o personagem a uma trajetória de violência ou tragédia. Deberton descreve a obra como “um filme afetivo sobre identidade e pertencimento em um sertão mais colorido e antenado com o resto do mundo”. O título funciona como metáfora da liberdade que Gugu busca, apesar das pressões ao seu redor.

O filme foi escolhido em setembro para representar o país na corrida pelo Oscar e tem como meta avançar à lista de 15 produções pré-selecionadas, prevista para ser divulgada em 15 de dezembro. A categoria reúne filmes enviados por diferentes países; a escolha brasileira é uma etapa anterior à seleção da Academia, que define os indicados e, depois, o vencedor.

A produção estreou mundialmente no Festival de Berlim, em fevereiro, onde recebeu o Urso de Cristal de melhor filme e o Grande Prêmio do Júri Internacional da mostra Generation Kplus. Depois, passou por mais de 50 mostras e festivais, segundo Deberton, e acumulou 15 prêmios nacionais e internacionais.

A campanha internacional inclui sessões para integrantes da Academia e convidados em Los Angeles. O ator Wagner Moura apresentou uma dessas exibições, e Lázaro Ramos participa das atividades ao lado do diretor. Deberton também mencionou sessões previstas em cidades como São Francisco, Chicago, Nova York, Londres e Madri, com o objetivo de ampliar o público e a visibilidade do longa.

A distribuição nos Estados Unidos ainda não estava definida. Esse lançamento é importante para uma campanha ao Oscar porque uma distribuidora pode oferecer estrutura operacional, recursos e acesso a contatos da indústria. O filme pode ser inscrito sem uma empresa distribuidora, mas a ausência de um parceiro nos Estados Unidos dificulta a divulgação entre os votantes.

Deberton afirma que a equipe vem construindo relações internacionais há bastante tempo. O agente de vendas M-Appeal negociou a distribuição do longa em países da América Latina, como Argentina e Colômbia, e da Europa, entre eles Dinamarca, Bélgica, Holanda e Espanha. O diretor disse que pretende deixar o filme falar por si e reconhece a concorrência de produções com orçamentos maiores.

Realizado com R$ 9 milhões, “Feito pipa” foi filmado em Quixadá e em cidades próximas, no interior do Ceará. Deberton diz que buscou mostrar um sertão diferente daquele associado apenas à seca e à falta de oportunidades. O diretor nasceu em Russas, também no interior cearense, e relaciona a obra às próprias lembranças de infância e à importância das relações humanas.

O roteiro é de André Araújo. A escolha de Yuri para o papel principal ocorreu após testes com mais de 700 crianças, segundo o diretor. O ator, que não tinha trabalhado em filmes antes da seleção, fazia parte do grupo de dança do Projeto Axé, organização baiana voltada a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

Para Lázaro Ramos, Batista é um homem que ama o filho, mas não consegue romper com os códigos masculinos que aprendeu. O ator disse que o papel lhe permitiu trabalhar um personagem distante dos tipos carismáticos que interpretou em outras ocasiões. Deberton, por sua vez, afirma que quis tratar o conflito com delicadeza e manter o afeto no centro da narrativa.

Para entender

Oscar de melhor filme internacional
A categoria reconhece longas produzidos fora dos Estados Unidos, falados predominantemente em outro idioma que não o inglês e inscritos por seus países. A escolha do representante nacional é uma etapa inicial; a Academia seleciona os filmes pré-indicados e, depois, define os indicados finais.

Fontes: Valor Econômico, O Globo, Estadão

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