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Quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Fachin alerta para erosão das democracias antes do segundo turno

Em evento no STF, o ministro defendeu respeito às regras eleitorais e disse que tribunais devem proteger direitos sem substituir o debate político.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Edson Fachin fala em um evento acadêmico em um auditório do Supremo Tribunal Federal. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Edson Fachin fala em um evento acadêmico em um auditório do Supremo Tribunal Federal.
Resumo em 30 segundos

Edson Fachin afirmou que democracias podem ser enfraquecidas gradualmente por ações aparentemente legais, como a captura de instituições e a perda de confiança pública. A quatro dias do segundo turno presidencial, o presidente do STF também defendeu respeito às regras eleitorais, transparência nas decisões judiciais e limites para a atuação dos tribunais.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira, em Brasília, que democracias podem ser enfraquecidas gradualmente por ações conduzidas sob aparente legalidade. A declaração foi feita quatro dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, durante um evento acadêmico na sede da Corte.

“Corroem-se, muitas vezes, por dentro, e, não raro, por meios aparentemente legais: pela captura gradual das instituições, pelo enfraquecimento dos controles, pela erosão da confiança pública”, disse Fachin no encontro “Diálogos com o Supremo: Tribunais Constitucionais e o Estado de Direito”. O professor italiano Luca Mezzetti, da Universidade de Bolonha, também participou do evento.

Fachin defendeu que as regras democráticas sejam respeitadas inclusive por quem perde eleições. Segundo ele, a proteção da democracia depende de instituições capazes de resistir à captura e de uma sociedade comprometida com as normas que organizam a disputa política.

O presidente do STF também tratou dos limites da atuação dos tribunais. Disse que a Justiça não deve se omitir diante de violações de direitos fundamentais, mas tampouco substituir o debate político pela vontade dos magistrados. “Um tribunal que se retrai diante de violações de direitos fundamentais trai a sua missão. Mas um tribunal que pretende substituir o debate político por sua própria vontade também a trai, pois transforma a guarda da Constituição em governo dos juízes”, afirmou.

A fala ocorre em meio a críticas à atuação do Supremo e a propostas de mudança no funcionamento da Corte, temas que entraram na campanha eleitoral. O debate institucional também foi intensificado por suspeitas envolvendo integrantes do tribunal e pelo caso do Banco Master, citado entre os fatores de desgaste do STF.

Fachin afirmou ainda que decisões judiciais precisam ser explicadas de modo claro à população, sobretudo em um cenário de polarização e uso político de informações. “A transparência não é concessão, mas uma condição de legitimidade da Justiça”, declarou.

O discurso aborda uma tensão central para tribunais constitucionais: cabe a eles proteger direitos e assegurar o cumprimento da Constituição, mas suas decisões não devem eliminar o espaço de deliberação política. No Brasil, o STF exerce o papel de interpretar a Constituição e pode analisar se leis e atos do poder público são compatíveis com ela.

A referência às eleições de 2026 situa as declarações em uma disputa presidencial ainda em curso. Fachin não mencionou candidatos no trecho do discurso divulgado, mas ressaltou a importância de preservar as regras democráticas e a confiança pública nas instituições.

Fontes: Valor Econômico, Gazeta do Povo

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