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Sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Evergrande prevê primeiro pagamento a credores no início de 2027

Liquidantes recuperaram US$ 436 milhões, menos de 1% dos US$ 46 bilhões em dívidas reivindicadas, e não detalharam quanto caberá a cada credor.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Torre residencial inacabada em uma cidade chinesa, com guindastes ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Torre residencial inacabada em uma cidade chinesa, com guindastes ao fundo.
Resumo em 30 segundos

A Evergrande fará um primeiro pagamento aos credores no primeiro semestre de 2027, mas os liquidantes ainda não informaram quanto cada um receberá. Em mais de dois anos, foram recuperados US$ 436 milhões, menos de 1% das dívidas reivindicadas. A equipe também questiona pagamentos, compras de arte e acordos ligados à incorporadora.

Os liquidantes da incorporadora chinesa Evergrande informaram que farão um primeiro pagamento aos credores no primeiro semestre de 2027. Em relatório divulgado na quinta-feira, eles disseram ter recuperado cerca de US$ 436 milhões em mais de dois anos — menos de 1% dos US$ 46 bilhões em dívidas reivindicadas contra a empresa, que está em processo de liquidação.

Do valor recuperado, apenas US$ 11,6 milhões vieram de ativos da própria Evergrande. O restante foi obtido por meio de subsidiárias. Os liquidantes não detalharam quanto cada credor poderá receber no pagamento inicial, que será distribuído na forma de dividendos, isto é, uma parcela dos recursos recuperados repassada aos credores.

A empresa deixou de pagar dívidas no exterior em 2021. A liquidação começou no início de 2024, e o processo expôs a dificuldade de localizar e acessar ativos espalhados por uma estrutura com cerca de 3 mil entidades na China. Os liquidantes afirmaram que as chances de recuperar recursos de ativos na China continental são “remotas”.

Mais de 650 entidades do grupo no país entraram em processos de falência. A Hengda Real Estate, principal unidade local da Evergrande, recebeu multas de órgãos reguladores chineses de pelo menos 4,1 bilhões de yuans (US$ 610 milhões) por fraudes financeiras, segundo o relatório. Os liquidantes também disseram que perderam acesso aos sistemas contábeis chineses depois que a empresa entrou em liquidação.

O caso evidencia a dificuldade de credores estrangeiros em obter recursos de empresas chinesas com operações e dívidas distribuídas entre diferentes unidades. Os detentores de dívida offshore, contraída fora da China continental, podem ficar em posição desfavorável em relação aos credores onshore, ligados a obrigações locais. O relatório não informa quanto do pagamento previsto para 2027 caberá a cada grupo.

Os liquidantes pretendem contestar um acordo de 1 bilhão de dólares de Hong Kong (US$ 130 milhões) entre a autoridade de valores mobiliários de Hong Kong e a PricewaterhouseCoopers (PwC), antiga auditora da Evergrande. Eles também buscam US$ 8,5 bilhões em indenizações junto a unidades da incorporadora em Hong Kong e na China. A Comissão de Valores Mobiliários e Futuros de Hong Kong multou a PwC em 310 milhões de dólares de Hong Kong, e dois ex-sócios da empresa receberam sanções.

O relatório também questionou pagamentos de cerca de 1,2 bilhão de dólares de Hong Kong feitos pela Evergrande a uma universidade dos Estados Unidos, em parte para criar um centro de pesquisa. Os liquidantes disseram que não encontraram uma justificativa comercial clara para as transferências. Também levantaram dúvidas sobre uma coleção de arte comprada pela incorporadora por 170 milhões de dólares de Hong Kong em 18 meses a partir de março de 2016.

A coleção incluía obras de Pablo Picasso, Claude Monet e Andy Warhol. Segundo os liquidantes, 95 das 110 obras foram compradas de um único negociante em Hong Kong. Das 107 peças que chegaram às mãos da equipe responsável pela liquidação, 96 foram vendidas, com retorno líquido de cerca de 28,8 milhões de dólares de Hong Kong, abaixo do custo de aquisição.

Os liquidantes também fecharam um acordo com um novo comprador para vender o jato Airbus A319 da Evergrande. A aeronave está estacionada em Guangzhou e não pode voar desde 2023.

Para entender

Dívida offshore e onshore
Dívida offshore é contraída fora do país de origem da empresa; onshore, dentro dele. Em processos de insolvência com operações e obrigações espalhadas por diferentes jurisdições, as regras locais e a estrutura das empresas podem influenciar a ordem e a possibilidade de pagamento aos credores.

Fontes: Valor Econômico

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