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Sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Movimento estudantil sérvio desafia Vučić antes das eleições

Dezenas de milhares foram a um ato em Belgrado; a Lista dos Estudantes disputa cadeiras no Parlamento contra o grupo do presidente sérvio.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Multidão participa de um ato político estudantil na Praça Slavija, em Belgrado. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Multidão participa de um ato político estudantil na Praça Slavija, em Belgrado.
Resumo em 30 segundos

A Lista dos Estudantes encerrou a campanha com um ato em Belgrado, após dois anos de protestos iniciados pelo desabamento de uma estação ferroviária em Novi Sad. A coalizão reúne estudantes e apoiadores de diferentes setores e promete medidas contra a corrupção e por mais transparência, liberdade de imprensa e acesso a serviços públicos.

A coalizão liderada pelo movimento estudantil sérvio reuniu dezenas de milhares de pessoas na quinta-feira, na Praça Slavija, em Belgrado, no último ato antes das eleições gerais de domingo. A Lista dos Estudantes, que ganhou força após dois anos de protestos, aparece como uma ameaça ao grupo do presidente Aleksandar Vučić e pode conquistar um número expressivo de cadeiras no Parlamento.

A candidatura, chamada “Lista dos Estudantes – Estudantes Vencem”, reúne participantes de diferentes setores da sociedade, entre eles estudantes e um ex-astro do basquete. Algumas forças oposicionistas desistiram de apresentar candidaturas próprias para apoiar a aliança. A estrutura descentralizada do movimento contrasta com o comando concentrado em Vučić e no Partido Progressista Sérvio, conhecido pela sigla SNS.

O protesto que deu origem à mobilização começou após o desabamento de uma estação ferroviária em Novi Sad, a segunda maior cidade da Sérvia. Dezesseis pessoas morreram no acidente, ocorrido há dois anos e associado a uma controversa reforma do terminal, realizada por um aliado político de Vučić, então presidente. As investigações não foram concluídas e ninguém foi punido, segundo o relato do movimento.

Milhares de pessoas foram às ruas poucos dias depois do desabamento. A mobilização, inicialmente centrada na busca por justiça para as vítimas, passou a reunir trabalhadores, professores, profissionais liberais e outros críticos do governo. Entre as queixas estavam a corrupção e a falta de responsabilização das autoridades. Militantes do SNS foram apontados como participantes de confrontos violentos com manifestantes.

O movimento alcançou seu maior ato em março de 2025, quando centenas de milhares de pessoas protestaram em diferentes partes do país. Na repressão, forças de segurança usaram armas sônicas, dispositivos que emitem ondas sonoras e podem ser empregados para desorientar ou dispersar multidões. Apesar da resposta estatal, os protestos continuaram.

Na concentração de quinta-feira, a estudante Natalija Stepanovic disse que medo, chantagem e injustiça não seriam permanentes. Arsa Stojanovic, estudante de biologia, afirmou que a mobilização permanecia de pé e declarou que a vitória estava “ao alcance de vocês”. Os discursos marcaram o retorno dos ativistas à praça onde, segundo Stojanovic, o movimento começou quase dois anos antes.

A Lista dos Estudantes apresentou 11 propostas e resumiu a escolha eleitoral como uma disputa entre “a Sérvia e a Máfia”. O programa inclui medidas para garantir um Judiciário livre de influência política, transparência no setor público e liberdade de imprensa, além de iniciativas para ampliar o acesso a emprego, educação e assistência médica. A Sérvia ocupa a 104ª posição no ranking da organização Repórteres Sem Fronteiras, de acordo com o texto da campanha.

Ilija Srdanović, principal candidato da lista, afirmou que um mandato parlamentar deve ser entendido como serviço público e que os eleitos precisam prestar contas à população. No manifesto, os estudantes dizem que autoridades declararam repetidamente, de forma falsa, que as reivindicações já haviam sido atendidas. O documento afirma que, por isso, o movimento decidiu assumir responsabilidade pelo futuro do país.

Vučić domina a política sérvia há 12 anos e chegou ao poder pela primeira vez em 2014, após as eleições gerais. Em 2017, foi eleito presidente. Nacionalista radical nos anos 1990, foi ministro da Informação e aliado de Slobodan Milošević. A oposição e organizações como a Anistia Internacional o acusaram de conduzir um governo marcado pela repressão a vozes dissidentes e por alianças com setores não estatais.

Em setembro, Vučić convocou eleições gerais e anunciou que deixaria o cargo. O SNS o aponta como candidato a primeiro-ministro. A votação de domingo medirá a força da oposição estudantil, mas não há indicação de que a disputa se limite a uma eleição presidencial: os sérvios escolherão seus representantes parlamentares.

Os ativistas apostam no comparecimento às urnas e citam a eleição húngara de abril, quando a oposição encerrou os 16 anos de governo de Viktor Orbán, próximo de Vučić. Na Hungria, 80% dos eleitores votaram; na última eleição parlamentar sérvia, em 2023, a participação foi de 58,77%. Helena Ivanov, do centro de estudos Sociedade Henry Jackson, disse que derrotar Vučić não será fácil, mas avaliou que o presidente enfrentará uma disputa difícil.

Para entender

SNS
Sigla do Partido Progressista Sérvio, força política liderada por Aleksandar Vučić. O partido ocupa posição central na política do país e é o principal adversário da Lista dos Estudantes na disputa eleitoral descrita.

Fontes: O Globo

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