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Quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Nanmoku firma acordo com distrito peruano para atrair jovens

A parceria com Belén cria laços culturais, mas não define vistos nem residência; na vila japonesa, 70% dos moradores têm 65 anos ou mais.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Jovens caminham por uma rua de uma vila rural japonesa cercada por montanhas. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Jovens caminham por uma rua de uma vila rural japonesa cercada por montanhas.
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A vila japonesa de Nanmoku, com cerca de 1.300 habitantes, firmou um acordo de cidades-irmãs com Belén, no Peru, para estreitar relações e tentar atrair jovens. A iniciativa busca enfrentar o envelhecimento e a perda de moradores, mas não resolve obstáculos práticos como visto, residência, idioma e acesso ao trabalho.

A vila japonesa de Nanmoku, na província de Gunma, firmou um acordo de cidades-irmãs com Belén, distrito amazônico do Peru, para estreitar relações e tentar atrair jovens peruanos para morar na comunidade. A iniciativa busca responder ao envelhecimento e à redução da população local, mas ainda não está claro como os interessados poderiam obter autorização de residência no Japão.

Nanmoku tem cerca de 1.300 habitantes e é apontada como o município mais envelhecido do país: 70% da população tem 65 anos ou mais. Em 2014, um centro de estudos classificou a vila como a localidade japonesa com maior risco de desaparecer. Segundo o prefeito, Saijo Hasegawa, cerca de 60 pessoas morrem ali por ano, enquanto nascem apenas dois ou três bebês.

A parceria foi marcada por uma visita da prefeita de Belén, Lina Arista López, e de duas jovens peruanas à vila. Wendy Sangama, estudante de 19 anos que passou uma semana no Japão, disse ter gostado do lugar e afirmou que aceitaria morar ali se tivesse oportunidade. Hasegawa declarou que Nanmoku precisa ampliar seus contatos e receber mais moradores, inclusive estrangeiros. Sem novos residentes, disse, até o transporte público poderia deixar de funcionar.

Belén tem aproximadamente 60 mil habitantes e fica em Iquitos, cidade remota do nordeste peruano. A idade média no distrito é de 27 anos, bem abaixo da registrada em Nanmoku. Muitos moradores dependem do comércio informal e da agricultura, com plantações de mandioca, arroz e milho. “Temos uma situação difícil em Belén. Não há emprego”, afirmou Arista López, ao comentar que jovens poderiam se interessar em buscar oportunidades em outras cidades.

A falta de trabalho também é um problema na vila japonesa, que já tentou atrair jovens de outras regiões do país. As opções de emprego são limitadas, e a vida cotidiana impõe obstáculos a quem chega de fora. Yuki Wanibuchi, de 34 anos, que se mudou de Kyoto para Nanmoku, citou a barreira do idioma e a necessidade de ter carro: para dirigir, explicou, é preciso obter carteira de motorista, o que exige conhecimento de japonês.

O acordo estabelece vínculos culturais e interpessoais entre os dois municípios, mas não resolve questões práticas de migração, como visto, residência e acesso ao trabalho. A iniciativa ocorre em um país que enfrenta escassez de mão de obra e envelhecimento acelerado, ao mesmo tempo que cresce a oposição à imigração. O Peru, por sua vez, tem a terceira maior população de nikkeis — imigrantes japoneses e seus descendentes —, embora essa ligação não elimine as barreiras para uma mudança internacional.

Fontes: Zero Hora

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