Crise habitacional em Portugal leva protestos e detenção de 55 pessoas
A polícia desmontou um acampamento de ativistas no centro de Lisboa; manifestantes contestam a resposta do governo e a reforma das regras de aluguel.
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A polícia portuguesa retirou, na terça-feira, um acampamento de ativistas pelo direito à moradia na Praça do Rossio, em Lisboa, e deteve 55 pessoas. Os protestos contestam as medidas do governo diante da crise habitacional e uma reforma dos aluguéis que, segundo os manifestantes, pode facilitar despejos.
A crise habitacional em Portugal levou manifestantes às ruas e a polícia a desmontar, na terça-feira, 20, um acampamento de ativistas pelo direito à moradia na Praça do Rossio, no centro de Lisboa. Durante a operação, 55 pessoas foram detidas. Os protestos também contestam a resposta do governo e uma reforma do mercado de aluguéis que, segundo os manifestantes, pode facilitar despejos de inquilinos.
A mobilização portuguesa faz parte de uma onda de atos em diferentes países europeus, com reivindicações que incluem moradia, educação e custo de vida. Em Portugal e na Espanha, a dificuldade de acesso à habitação está entre os principais motivos das manifestações. No caso português, os ativistas criticam o que consideram insuficiente nas medidas adotadas pelo governo para enfrentar o problema.
O acampamento foi instalado por defensores do direito à moradia na praça lisboeta e acabou removido pela polícia na manhã de terça-feira. A operação resultou na detenção de 55 pessoas, segundo as informações divulgadas pelas autoridades portuguesas. Os atos ocorrem em meio a críticas à proposta de reforma das regras de aluguel, que os manifestantes dizem poder tornar mais fácil retirar inquilinos de suas casas.
A questão habitacional também mobilizou manifestantes na Espanha. Em setembro, ativistas protestaram após o despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, cuja locação teria aumentado 230% depois de um fundo de investimento elevar o aluguel. Ela morreu duas semanas mais tarde, após ser internada em um hospital. O caso se tornou um símbolo das dificuldades enfrentadas por moradores diante da alta dos custos de moradia.
A crise de habitação se soma a outras preocupações econômicas e sociais que impulsionam as manifestações europeias, como o aumento dos preços e as dificuldades de acesso à educação. Embora haja temas comuns, os protestos também têm reivindicações específicas em cada país. Na Grécia, por exemplo, estudantes e professores foram às ruas nesta quarta-feira, 21, contra o custo de vida, a falta de moradia estudantil acessível e problemas no sistema educacional.
Na França, estudantes do ensino médio reivindicam mais recursos para as escolas, melhores instalações, turmas menos lotadas e contratação de professores. Os atos começaram com bloqueios de escolas nos subúrbios de Paris e ganharam dimensão nacional entre o fim de setembro e o início de outubro. Com a adesão de outros manifestantes, as pautas passaram a incluir críticas ao custo de vida e à qualidade dos serviços públicos.
Na Bélgica, estudantes protestam contra o encarecimento da educação e mudanças que, na avaliação deles, podem limitar o acesso ao ensino superior. Na Itália, jovens e estudantes participaram de atos mais amplos relacionados ao custo de vida e à educação. Já na Albânia, manifestações reuniram reivindicações contra denúncias de corrupção, problemas na educação e um projeto de resort de luxo no litoral sul.
Os protestos refletem pressões distintas sobre famílias, estudantes e trabalhadores, mas a moradia é um ponto central das mobilizações em Portugal e na Espanha. Em Lisboa, a retirada do acampamento ocorreu enquanto ativistas questionam tanto a resposta do governo à crise habitacional quanto os efeitos que a reforma dos aluguéis poderia ter sobre a permanência de inquilinos em suas casas.