Estudo associa mais passos diários a melhor desempenho cognitivo
A pesquisa não define uma meta diária nem avaliou a caminhada com atenção plena; os resultados mostram uma associação, mas não provam causa e efeito.
Resumo em 30 segundos
Um estudo com 3.093 adultos nos Estados Unidos relacionou níveis mais altos de passos diários a melhores resultados em testes de atenção, controle de distrações e escolhas entre recompensas. A pesquisa foi observacional, não estabeleceu uma quantidade ideal de passos e não avaliou a caminhada com atenção plena.
Adultos que registraram mais passos por dia tiveram resultados melhores em testes de atenção, controle de distrações e escolhas entre recompensas imediatas e futuras, segundo um estudo que acompanhou dados de atividade e cognição ao longo de 14 anos. A pesquisa analisou 3.093 pessoas nos Estados Unidos, com idades entre 18 e 93 anos, e foi publicada na revista Scientific Reports.
Os pesquisadores do Baylor College of Medicine dividiram os participantes em três grupos, com médias de 5.108, 8.875 e 14.161 passos diários. Os dois grupos mais ativos superaram o menos ativo em tarefas que avaliavam a capacidade de manter o foco, ignorar estímulos irrelevantes e ponderar recompensas. O reconhecimento de emoções faciais também foi avaliado, mas não aparece entre as habilidades para as quais o estudo relata diferenças entre os grupos.
Depois de levar em conta idade, escolaridade, renda, estado civil e local de nascimento, a equipe estimou que o grupo intermediário teve pontuação 1,76 ponto maior em atenção sustentada do que o menos ativo. No grupo de maior atividade, a diferença estimada foi de 2,17 pontos. Atenção sustentada é a capacidade de manter a concentração em uma tarefa por determinado período.
Os registros de passos vieram de dispositivos Fitbit, e as medições de pressão arterial, do programa de pesquisa All of Us, dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. Os dados abrangem o período de 2009 a 2023, mas nem todos os participantes foram acompanhados durante todos os anos. Para estimar os padrões individuais, os pesquisadores usaram as medições disponíveis.
O psiquiatra Olaoluwa Okusaga, do Baylor College of Medicine, afirmou que os resultados indicam uma associação entre atividade física de longo prazo e desempenho cognitivo posterior, mas não demonstram que caminhar mais cause melhora na cognição. O estudo é observacional: identifica relações entre fatores, sem comprovar que um deles provoque o outro.
Por isso, a pesquisa não estabelece quantos passos alguém deveria dar por dia para favorecer a saúde cerebral. Okusaga citou possíveis relações com situações cotidianas, como manter a concentração no trabalho, evitar decisões impulsivas e seguir objetivos de longo prazo, mas esses comportamentos não foram avaliados diretamente no estudo.
Os autores também destacaram limitações. A cognição foi medida apenas uma vez, o que impede avaliar se as habilidades mudaram durante o período; além disso, capacidades cognitivas anteriores podem ter influenciado o nível de atividade. A análise não considerou tabagismo ou obesidade, e a amostra era predominantemente branca, composta em cerca de dois terços por mulheres e quase inteiramente por pessoas com alguma educação superior.
A chamada caminhada com atenção plena — prática de caminhar prestando atenção deliberada às sensações e ao ambiente — não foi testada. O estudo mediu a quantidade de passos, não a intenção ou o foco durante a caminhada. Os pesquisadores disseram que pretendem fazer novas análises para investigar como a atividade física se relaciona com mudanças na atenção e em outras capacidades cognitivas ao longo do tempo.