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Segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Estudo associa mais passos diários a melhor desempenho cognitivo

A pesquisa não define uma meta diária nem avaliou a caminhada com atenção plena; os resultados mostram uma associação, mas não provam causa e efeito.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Adulto caminha em um parque usando um monitor de atividade no pulso. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Adulto caminha em um parque usando um monitor de atividade no pulso.
Resumo em 30 segundos

Um estudo com 3.093 adultos nos Estados Unidos relacionou níveis mais altos de passos diários a melhores resultados em testes de atenção, controle de distrações e escolhas entre recompensas. A pesquisa foi observacional, não estabeleceu uma quantidade ideal de passos e não avaliou a caminhada com atenção plena.

Adultos que registraram mais passos por dia tiveram resultados melhores em testes de atenção, controle de distrações e escolhas entre recompensas imediatas e futuras, segundo um estudo que acompanhou dados de atividade e cognição ao longo de 14 anos. A pesquisa analisou 3.093 pessoas nos Estados Unidos, com idades entre 18 e 93 anos, e foi publicada na revista Scientific Reports.

Os pesquisadores do Baylor College of Medicine dividiram os participantes em três grupos, com médias de 5.108, 8.875 e 14.161 passos diários. Os dois grupos mais ativos superaram o menos ativo em tarefas que avaliavam a capacidade de manter o foco, ignorar estímulos irrelevantes e ponderar recompensas. O reconhecimento de emoções faciais também foi avaliado, mas não aparece entre as habilidades para as quais o estudo relata diferenças entre os grupos.

Depois de levar em conta idade, escolaridade, renda, estado civil e local de nascimento, a equipe estimou que o grupo intermediário teve pontuação 1,76 ponto maior em atenção sustentada do que o menos ativo. No grupo de maior atividade, a diferença estimada foi de 2,17 pontos. Atenção sustentada é a capacidade de manter a concentração em uma tarefa por determinado período.

Os registros de passos vieram de dispositivos Fitbit, e as medições de pressão arterial, do programa de pesquisa All of Us, dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. Os dados abrangem o período de 2009 a 2023, mas nem todos os participantes foram acompanhados durante todos os anos. Para estimar os padrões individuais, os pesquisadores usaram as medições disponíveis.

O psiquiatra Olaoluwa Okusaga, do Baylor College of Medicine, afirmou que os resultados indicam uma associação entre atividade física de longo prazo e desempenho cognitivo posterior, mas não demonstram que caminhar mais cause melhora na cognição. O estudo é observacional: identifica relações entre fatores, sem comprovar que um deles provoque o outro.

Por isso, a pesquisa não estabelece quantos passos alguém deveria dar por dia para favorecer a saúde cerebral. Okusaga citou possíveis relações com situações cotidianas, como manter a concentração no trabalho, evitar decisões impulsivas e seguir objetivos de longo prazo, mas esses comportamentos não foram avaliados diretamente no estudo.

Os autores também destacaram limitações. A cognição foi medida apenas uma vez, o que impede avaliar se as habilidades mudaram durante o período; além disso, capacidades cognitivas anteriores podem ter influenciado o nível de atividade. A análise não considerou tabagismo ou obesidade, e a amostra era predominantemente branca, composta em cerca de dois terços por mulheres e quase inteiramente por pessoas com alguma educação superior.

A chamada caminhada com atenção plena — prática de caminhar prestando atenção deliberada às sensações e ao ambiente — não foi testada. O estudo mediu a quantidade de passos, não a intenção ou o foco durante a caminhada. Os pesquisadores disseram que pretendem fazer novas análises para investigar como a atividade física se relaciona com mudanças na atenção e em outras capacidades cognitivas ao longo do tempo.

Fontes: O Globo

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