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Terça-feira, 13 de outubro de 2026

Edificações em áreas vulneráveis do Himalaia crescem 46%

Quase 300 mil pessoas vivem em zonas expostas a enchentes no Nepal e em áreas vizinhas da Índia e da China, aponta estudo publicado na Scientific Reports.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Vale do Himalaia com rio barrento, sedimentos e construções próximas às margens. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Vale do Himalaia com rio barrento, sedimentos e construções próximas às margens.
Resumo em 30 segundos

A área ocupada por edificações em corredores fluviais vulneráveis do Nepal e de regiões próximas da Índia e da China aumentou 46% entre 2016 e 2023. O estudo estima que quase 300 mil pessoas vivam nessas zonas. Chuvas de monção, terremotos e avalanches podem provocar enchentes, cuja frequência e magnitude são difíceis de prever no Himalaia.

A área ocupada por edificações em corredores fluviais vulneráveis do Nepal e de regiões vizinhas da Índia e da China cresceu 46% entre 2016 e 2023, embora o aquecimento do Himalaia eleve o risco de inundações. Um estudo publicado na quinta-feira (8) na revista Scientific Reports estima que quase 300 mil pessoas vivam nessas zonas expostas.

Os pesquisadores analisaram dados de satélite sobre construções e mapas topográficos para identificar áreas de vales montanhosos onde a água pode avançar durante enchentes. Foram consideradas edificações localizadas até 50 metros acima do fundo dos vales. O estudo não classificou os imóveis por finalidade, mas apontou o turismo e a construção de usinas hidrelétricas como possíveis motores da expansão.

As enchentes registradas em agosto no Nepal e no Tibete, que mataram milhares de pessoas, evidenciaram os perigos na região. O relevo complexo dificulta prever desastres, que podem ser desencadeados por chuvas intensas de monção, terremotos ou avalanches de rochas em lagos formados pelo derretimento de geleiras.

Quando a água desce pelos vales, pode carregar sedimentos e detritos, formando uma massa de lama capaz de atingir comunidades com força. O risco também pode persistir depois da enxurrada: a erosão das margens pode provocar deslizamentos e desabamentos por dias ou semanas.

Com base em tendências demográficas recentes, os autores estimaram que a população residente nas áreas de risco poderá aumentar 6% entre 2015 e 2030. Scott Watson, pesquisador da Universidade de Leeds e principal autor do estudo, afirmou que poucas enchentes no Himalaia devem elevar a água em 50 metros, mas que os episódios de agosto parecem ter alcançado essa altura ou mais em alguns locais.

O estudo usou uma base de dados do Google que registra a área ocupada por edificações em diferentes países entre 2016 e 2023. A equipe comparou os dados com outras imagens de satélite do Nepal e os combinou com mapas do relevo para estimar a expansão nos vales.

Em regiões sujeitas a inundações, normas de construção podem considerar a probabilidade de eventos de diferentes magnitudes, como enchentes estimadas para ocorrer uma vez a cada cem ou 500 anos. No Himalaia, porém, calcular a frequência e o volume das cheias continua sendo difícil. Segundo Watson, a paisagem imprevisível impede estimativas seguras sobre quanta água as comunidades devem esperar e com que frequência.

Fontes: Folha de S.Paulo

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