Edson Garcia mantém Marisa sem plano de abrir lojas em 2027
CEO diz que a varejista vai priorizar a rentabilidade das unidades atuais e reorganizar as finanças antes de retomar a expansão.
Resumo em 30 segundos
Edson Garcia afirma que a Marisa não abrirá lojas em 2027 e concentrará esforços em vender mais nas unidades existentes. A empresa revê preços, sortimento e organização das lojas, enquanto renegocia dívidas e busca reduzir a pressão financeira. O CEO também diz que a companhia pretende ampliar a parcela de ações em circulação, condicionada à melhora dos resultados e do mercado.
Edson Garcia, CEO da Lojas Marisa desde 2024, afirma que a rede não planeja abrir lojas em 2027 e pretende concentrar esforços em melhorar a rentabilidade das unidades atuais. A estratégia inclui rever sortimento, preços e organização dos espaços, enquanto a companhia renegocia dívidas e busca reduzir a pressão financeira.
“Não existe discussão de fechamento de capital”, disse Garcia ao tratar do futuro da empresa na Bolsa, onde está listada desde 2007. Segundo ele, a Marisa quer elevar a parcela de ações em circulação, hoje em 7,05%, para 20%, mas a mudança depende da recuperação dos resultados, de juros menores e de um mercado de renda variável mais atrativo. A família controladora mantém participação na companhia e presença no conselho.
A varejista fechou lojas consideradas não rentáveis, reduziu sua estrutura e reposicionou a marca para voltar a priorizar mulheres da classe C. Garcia afirmou que a empresa pretende aproveitar o parque atual de lojas para vender mais por metro quadrado, sem depender de expansão. “Vai ter um momento de expansão, mas não será neste ano e nem em 2027”, declarou.
Entre as mudanças nas lojas estão ambientes mais iluminados, vitrines reorganizadas e mais espaço para categorias como moda infantil. O segmento ganhou importância porque, segundo Garcia, 70% das clientes da rede têm, em média, dois filhos. A empresa também acompanha oportunidades em moda masculina e busca aumentar a frequência de compra. O CEO disse que há clientes que já voltam às lojas mais de cinco vezes por ano.
A revisão de preços, estilo e sortimento busca aproximar a oferta da clientela tradicional da marca. Garcia afirmou que, após a empresa ter se inclinado para consumidoras de maior renda, a direção identificou a necessidade de recuperar o foco na mulher da classe C. Mais de 70% dos funcionários são mulheres, segundo ele, e elas também são maioria nos cargos de liderança.
O executivo disse que a Marisa enfrenta concorrência de plataformas de comércio eletrônico, mas considera que seus preços estão próximos aos anunciados por esses serviços. Como exemplo, citou blusas vendidas nas plataformas por R$ 29 ou R$ 39. Para Garcia, a loja física oferece vantagens como experimentar a peça, levá-la na hora e fazer trocas com facilidade — aspectos relevantes para clientes com orçamento mais apertado.
A reorganização financeira segue como um dos principais desafios. A dívida da companhia estava em torno de R$ 380 milhões no último balanço, pressionada pelos juros elevados. Garcia afirmou que a empresa também tem quase R$ 1 bilhão em créditos tributários de PIS/Cofins e INSS, usados para compensar impostos e liberar recursos que podem ser destinados à redução do endividamento.
A Marisa vem alongando o prazo de suas obrigações. A proporção da dívida que vence no curto prazo, antes correspondente a 60% do total, foi reduzida; no último trimestre, 61% estava no longo prazo. O passivo circulante — compromissos com vencimento em até 12 meses — ainda supera o ativo circulante, que reúne recursos e valores a receber nesse período. Garcia afirmou que a diferença é tratada por meio de renegociações, extensão dos prazos e melhora da operação.
O executivo também explicou que uma observação do auditor sobre a continuidade da empresa está relacionada à estrutura de capital e ao fato de haver mais obrigações de curto prazo do que recursos circulantes. Segundo ele, a ressalva não significa que a companhia vá interromper suas atividades. A empresa pretende reduzir gradualmente a dependência dos créditos tributários e fazer com que a operação gere recursos suficientes para sustentar o negócio.
A Marisa registrou prejuízo anual em cada ano de 2019 a 2025, segundo os dados citados por Garcia. Ele considera que a operação já está mais eficiente após as mudanças iniciadas em 2024, mas afirma que a reorganização financeira ainda precisa avançar. “Resolvendo a estrutura de capital, com o operacional caminhando, podemos falar que a Marisa virou”, disse.
As ações da companhia acumulavam queda de 20% no ano e eram negociadas abaixo de R$ 1 desde fevereiro, em torno de R$ 0,80. Na abertura de capital, em 2007, os papéis valiam R$ 10. Garcia afirmou que uma recuperação dos resultados, junto com condições mais favoráveis para a renda variável, poderia ajudar a ampliar a quantidade de ações disponíveis ao mercado.