Professores lideram confiança dos brasileiros em profissões, diz Ipsos
Pesquisa Ipsos Brasil ouviu mil pessoas e aponta cientistas e médicos entre as profissões mais confiáveis; políticos e influenciadores estão entre as menos confiáveis.
Resumo em 30 segundos
Professores, cientistas e médicos são as profissões que mais inspiram confiança no Brasil, segundo pesquisa da Ipsos com mil pessoas. Políticos, influenciadores e ministros de governo estão entre as categorias que mais despertam desconfiança. A avaliação varia por gênero e faixa etária; o levantamento também investigou a confiança em chatbots de inteligência artificial.
Professores, cientistas e médicos são as profissões que mais inspiram confiança entre os brasileiros, enquanto políticos, influenciadores de redes sociais e ministros de governo estão entre as que mais geram desconfiança. Os resultados são da edição mais recente do Monitor Global de Confiança nas Profissões, pesquisa da Ipsos que ouviu mil pessoas no Brasil e mais de 23 mil em 31 países.
No levantamento brasileiro, a ordem das três categorias mais confiáveis difere da média internacional, na qual cientistas, professores e médicos lideram. A pesquisa também identificou desconfiança em políticos e influenciadores no conjunto dos países pesquisados. A Ipsos não informou, no material divulgado, os percentuais gerais de confiança de cada profissão no Brasil.
Para Márcia Cavallari, diretora de pesquisa da Ipsos, a avaliação está ligada à convivência e às experiências que as pessoas têm com cada grupo profissional. “Confiança é um ativo que mede a reputação. Quanto mais confio, mais defendo. Então a confiança surge da experiência das pessoas e pelo que ouvem falar”, afirmou.
Professores e médicos fazem parte do cotidiano de muitas famílias, enquanto cientistas ganharam maior visibilidade ao explicar temas relacionados ao vírus e às vacinas durante a pandemia. Na edição de 2021 da pesquisa, cientistas e professores dividiram a liderança: cada categoria tinha 68% de confiança.
Os resultados variam também conforme o gênero. Entre as mulheres, 60% dizem confiar nos professores, ante 51% dos homens. Para os cientistas, os percentuais são de 56% entre elas e 49% entre eles. Cavallari relacionou a diferença na avaliação dos professores à participação das mulheres na vida escolar dos filhos: “Elas são as que mais vão à escola conhecer os professores dos filhos”.
A desconfiança em algumas categorias é maior entre os homens. Políticos não inspiram confiança para 69% dos entrevistados do sexo masculino e 62% das mulheres. No caso dos ministros de governo, os índices são de 61% e 53%, respectivamente. Para influenciadores de redes sociais, a falta de confiança foi apontada por 60% dos homens e 54% das mulheres.
A idade também altera o retrato. Professores têm índices de confiança de 60% entre a geração Z e os baby boomers. Cientistas são mais bem avaliados por millennials, com 54%, e pela geração Z, com 53%. Entre os médicos, os baby boomers registram 60% de confiança, enquanto millennials e geração Z têm 54% cada.
Entre os baby boomers, 71% dizem não confiar nos políticos e 63% desconfiam dos ministros de governo. Para os millennials, os influenciadores são a categoria que mais desperta desconfiança: 59% afirmam não confiar nesses profissionais.
A pesquisa incluiu pela primeira vez perguntas sobre chatbots de inteligência artificial (IA), programas que simulam conversas e respondem a solicitações dos usuários. No Brasil, 25% disseram confiar nessas ferramentas e 40% afirmaram não confiar. Na média dos 31 países, os percentuais foram de 23% e 40%, respectivamente. Cavallari atribuiu a desconfiança à novidade da tecnologia para parte da população brasileira.
O psicólogo e especialista em liderança Joca Correia avalia que o vínculo emocional com profissões ligadas ao cuidado e ao propósito ajuda a explicar a confiança em professores, médicos e cientistas. “Todo mundo lembra de um professor que acreditou nele antes dele mesmo acreditar. Todo mundo esteve vulnerável diante de um médico e sentiu alívio ao ser acolhido. Essas profissões tocam a gente em momentos em que estamos expostos, e é justamente aí que o vínculo se forma”, afirmou.
Para Correia, a relação com políticos e influenciadores pode ser vista como orientada por interesses, como obter votos, engajamento ou vender produtos. Ele ressalvou que a desconfiança não decorre necessariamente da profissão em si, mas da percepção de que não há um vínculo genuíno. Cavallari também associou a avaliação dos políticos à polarização e disse que influenciadores podem ser vistos como preocupados com benefícios próprios; uma hipótese levantada por ela é que a expansão das apostas on-line tenha contribuído para a desconfiança.
A reputação de uma profissão pode pesar na escolha de carreira e na atração de trabalhadores, mas não determina, sozinha, o interesse pela ocupação. A especialista em gestão e liderança Andrea Krug observou que o magistério, apesar do respeito social, enfrenta dificuldades de atração e retenção ligadas a remuneração, condições de trabalho e perspectivas de carreira. Para Correia, nas empresas, a confiança também depende da coerência entre o discurso institucional e a experiência dos funcionários.