Democratas arrecadam mais que republicanos em disputas pelo Congresso
Em seis estados decisivos para o Senado, candidatos democratas levantaram de três a seis vezes mais que rivais republicanos entre julho e setembro.
Resumo em 30 segundos
Candidatos democratas arrecadaram mais do que republicanos em disputas importantes para o Congresso dos Estados Unidos. A vantagem apareceu em seis estados decisivos para o Senado e também em corridas à Câmara. Os dados foram divulgados antes da eleição de 3 de novembro, mas arrecadação maior não garante vitória nas urnas.
Candidatos democratas arrecadaram mais do que republicanos em disputas importantes para o Congresso dos Estados Unidos, segundo relatórios de financiamento de campanha apresentados à Comissão Federal Eleitoral (FEC, na sigla em inglês) na quinta-feira (15). A vantagem apareceu em corridas ao Senado e à Câmara de Representantes antes das eleições de 3 de novembro, quando serão renovados todos os assentos da Câmara e um terço do Senado.
Em seis estados considerados decisivos para o controle do Senado — Texas, Alasca, Ohio, Maine, Michigan e Iowa —, os democratas levantaram de três a seis vezes mais recursos que os adversários republicanos no trimestre de julho a setembro, de acordo com análise do Punchbowl News. Os valores podem financiar anúncios em televisão, rádio e plataformas digitais durante as semanas finais da campanha.
No Texas, o democrata James Talarico arrecadou US$ 64 milhões, recorde para sua campanha, contra US$ 10,2 milhões do republicano Ken Paxton. A campanha de Paxton recebeu ainda US$ 8,5 milhões de comitês conjuntos com outros candidatos. Esses comitês são estruturas que permitem a arrecadação e o gasto compartilhados por campanhas, conforme as regras eleitorais.
A vantagem democrata também aparece em disputas pela Câmara. Pelo menos 47 republicanos que já ocupam assentos arrecadaram menos do que seus rivais democratas ou independentes. No partido democrata, cerca de seis candidatos titulares foram superados por republicanos em arrecadação.
Os números foram divulgados apesar de Elon Musk ter destinado US$ 276 milhões ao Partido Republicano. O empresário, que lidera a Tesla e a SpaceX, contribuiu com cerca de US$ 366 milhões neste ciclo eleitoral, segundo análises da mídia americana. Musk integrou brevemente o governo do presidente Donald Trump, rompeu publicamente com ele e depois se reconciliou.
Trump tem realizado comícios diários pelo país para apoiar candidatos republicanos em dificuldades. Do lado democrata, a campanha destaca a arrecadação junto a pequenos doadores, embora os dados também apontem contribuições expressivas de grandes financiadores. Candidatos socialistas em distritos competitivos, como os de Michigan e Nova York, estão entre os que adotaram essa estratégia.
A arrecadação, porém, não determina sozinha o resultado eleitoral. Na eleição presidencial de 2024, Kamala Harris gastou US$ 1,17 bilhão em pouco mais de cem dias de campanha, após Joe Biden desistir da candidatura, enquanto Trump gastou US$ 255 milhões e venceu. Em 2016, Hillary Clinton também recebeu mais recursos de grandes doadores do que Trump, mas perdeu a eleição.
Para entender
- Comissão Federal Eleitoral
- A Federal Election Commission (FEC) é a agência independente dos Estados Unidos responsável por administrar e aplicar regras federais de financiamento de campanhas e divulgar informações sobre contribuições e gastos eleitorais.
- Comitês conjuntos de arrecadação
- São estruturas formadas por campanhas e comitês políticos que podem arrecadar e compartilhar recursos conforme as regras eleitorais dos Estados Unidos. As contribuições recebidas por esses comitês são distintas dos valores arrecadados diretamente por uma campanha.