Delcy Rodríguez critica retorno de María Corina Machado à Venezuela
A presidente interina disse que a opositora poderia ter voltado sem fazer um “show”; Machado aceita conversar com o governo, desde que haja transparência.
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Após dez meses no exílio, María Corina Machado voltou à Venezuela e percorreu de Barquisimeto a Caracas acompanhada por milhares de apoiadores. Delcy Rodríguez criticou a forma como a chegada foi realizada. A porta-voz do partido de Machado afirmou que ela aceita dialogar com o governo interino em conversas públicas, transparentes e com agenda definida.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, criticou nesta segunda-feira, 26 de outubro, o retorno da líder opositora María Corina Machado ao país, após dez meses no exílio. Rodríguez disse que a vencedora do Prêmio Nobel da Paz poderia ter voltado sem transformar a chegada em um “show”, enquanto a oposição afirmou que Machado está disposta a conversar com o governo interino.
“Ela poderia evitar o show. Os aeroportos estão aí”, declarou Rodríguez em pronunciamento transmitido pela televisão estatal. Machado apareceu no domingo em Barquisimeto, no oeste venezuelano, e seguiu por estrada até Caracas, em um percurso de cerca de 400 quilômetros que mobilizou milhares de apoiadores e provocou congestionamentos e manifestações de comemoração.
O retorno recolocou Machado no centro das discussões sobre a transição política e ampliou a pressão para que ela participe das negociações entre setores da oposição e o governo interino. A líder não integra a mesa de diálogo, cujas conversas começaram em agosto, mas havia afirmado que não criaria obstáculos ao processo.
Claudia Macero, responsável pela comunicação do partido Vente Venezuela, disse nesta segunda que Machado aceita se reunir com Rodríguez e com outros representantes políticos. Segundo Macero, a opositora quer que as conversas ocorram publicamente, com transparência e uma agenda definida. Ela também afirmou que Machado deve se dirigir ao país nas próximas horas, mas não detalhou a agenda da líder.
Macero disse que a população sente falta de representação na mesa de diálogo e defendeu que as propostas dos venezuelanos sejam levadas às negociações. O governo interino não havia se pronunciado sobre o retorno de Machado. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou no domingo que a volta foi resultado do processo de reconciliação promovido nas conversas para a transição.
Rodríguez governa interinamente desde a captura de Nicolás Maduro, em janeiro, durante uma operação militar dos Estados Unidos. Washington pressiona o governo e promove um plano de três fases que prevê eleições livres, ainda sem data. A mesa de diálogo busca estabelecer acordos para criar condições para a transição democrática.
A União Europeia classificou o retorno como uma oportunidade para avançar no diálogo e na realização de eleições livres e justas. Machado está impedida de disputar eleições, e uma rodada recente de negociações acordou revisar leis que restringem a participação política, sem citar a opositora diretamente.
O Vente Venezuela exige eleições presidenciais em 2027. A oposição denunciou fraude no pleito de 2024 e sustenta que Edmundo González Urrutia, candidato apoiado por Machado, venceu Maduro. Macero afirmou que a definição de uma data para a votação daria aos venezuelanos a perspectiva de mudança.