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Quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Degelo nos Dolomitas revela mais de 250 explosivos da Guerra Branca

Os artefatos da Primeira Guerra Mundial foram encontrados em áreas de altitude na região italiana de Trentino-Alto Ádige e podem continuar ativos.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Projétil antigo parcialmente exposto no gelo de uma geleira nos Dolomitas. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Projétil antigo parcialmente exposto no gelo de uma geleira nos Dolomitas.
Resumo em 30 segundos

O recuo das geleiras nos Dolomitas, no norte da Itália, expôs munições da Primeira Guerra Mundial. Militares recuperaram e neutralizaram mais de 250 artefatos explosivos, incluindo projéteis italianos e franceses. As autoridades recomendam que ninguém toque em explosivos encontrados e que o caso seja comunicado imediatamente à polícia.

O derretimento das geleiras nos Dolomitas, no norte da Itália, revelou projéteis da Primeira Guerra Mundial que ficaram preservados no gelo por mais de cem anos. Durante uma operação de busca na região de Trentino-Alto Ádige, militares recuperaram e neutralizaram mais de 250 artefatos explosivos, entre eles munições italianas e francesas.

Os primeiros relatos vieram de excursionistas que encontraram bombas perto de Canal San Bovo, no Vale do Primiero, na província de Trento. Depois dos avisos, o Exército italiano ampliou as buscas para outros pontos de altitude elevada e áreas glaciais da região.

Na área de Canal San Bovo, foram localizados 18 projéteis de artilharia italianos de 75 milímetros e 37 projéteis de morteiro Thevetot. Fabricado na França, o modelo Thevetot também foi fornecido ao Exército Real Italiano durante a guerra. A operação ocorreu ao longo da campanha de verão, segundo a Brigada Alpina Julia.

A chamada Guerra Branca foi o conflito travado entre tropas italianas e o Exército Austro-Húngaro nos Alpes, entre 1915 e 1918. O nome se refere aos combates em ambientes de alta montanha e neve, sobretudo nos Dolomitas de Trentino-Alto Ádige e nos Alpes da Lombardia. Estima-se que mais de um milhão de pessoas tenham morrido na guerra, embora muitos soldados tenham perdido a vida em avalanches, quedas e por hipotermia, e não em confrontos diretos.

O professor Stefano Morosini, da Universidade de Bergamo e coordenador de projetos de patrimônio do Parque Nacional de Stelvio, relaciona o reaparecimento das munições ao aquecimento global e ao recuo acelerado das geleiras. Ele afirmou que, nos últimos anos, cada fim de verão traz novos artefatos à superfície e que a quantidade vem aumentando. Alguns já explodiram, mas outros continuam ativos e representam risco.

A recomendação das autoridades é não tocar em nenhum explosivo encontrado e avisar imediatamente a polícia. Mesmo peças antigas podem continuar perigosas, apesar de terem permanecido congeladas por décadas ou séculos.

O degelo também expõe outros vestígios da guerra. Desde a década de 1990, armas, trenós, cartas e diários foram encontrados, além de corpos de soldados. Em 2017, documentos recuperados junto ao corpo de um militar italiano permitiram que seus familiares realizassem o sepultamento.

Em 2015, o derretimento no topo do Monte Scorluzzo revelou um abrigo de madeira usado por soldados. No interior havia colchões de palha, roupas, lanternas, jornais, cartões-postais, moedas e alimentos enlatados. O local foi fechado ao fim da guerra, em novembro de 1918. Artefatos encontrados na região também deverão integrar o acervo do Museu da Guerra Branca, previsto para abrir em junho de 2027, em Bormio.

Fontes: O Globo

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