Melania Trump negocia trégua para retirada de civis de Oleshky
A pausa nos combates começou nesta terça-feira, dois dias antes do previsto, e deve durar até 1º de novembro para facilitar a entrada de ajuda humanitária.
Resumo em 30 segundos
O cessar-fogo em Oleshky, cidade ocupada por forças russas na região ucraniana de Kherson, permite a entrada de ajuda e a retirada voluntária de moradores. A trégua deve durar até 1º de novembro. A população enfrenta falta de serviços básicos e alimentos, enquanto minas dificultam a saída segura da cidade.
Um cessar-fogo negociado pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, começou nesta terça-feira (27) em Oleshky, cidade ucraniana ocupada por forças russas desde 2022. A trégua busca permitir a entrada de ajuda humanitária e a retirada voluntária de moradores da região de Kherson, no sul da Ucrânia.
A suspensão dos combates teve início às 3h, no horário local, dois dias antes do previsto. Autoridades russas e ucranianas confirmaram o começo do acordo, e o comissário de Direitos Humanos do Parlamento ucraniano, Dmytro Lubinets, afirmou que não havia registro de violações até o fim da tarde.
Melania anunciou que a pausa foi estendida a outras áreas de Kherson para facilitar a passagem de comboios com alimentos, água e medicamentos. Em publicação na rede social X, ela disse que a antecipação do cronograma tinha o objetivo de proteger civis e agilizar a entrega de assistência. A trégua deve durar até a noite de domingo, 1º de novembro, segundo Davyd Arakhamia, parlamentar ucraniano que integra a equipe de negociações de paz.
O acordo também prevê visitas de representantes civis russos e ucranianos às casas para identificar as necessidades dos moradores. Quem decidir deixar a cidade poderá escolher entre ser levado a áreas controladas pela Ucrânia ou pela Rússia. A retirada depende de condições seguras nas vias, que estão minadas; a trégua deve permitir o acesso de equipes humanitárias e a remoção de explosivos das rotas.
As estimativas sobre a população que permanece na cidade variam. O governo dos Estados Unidos calcula que entre 1.700 e 2 mil pessoas ainda vivam em Oleshky, incluindo cerca de 50 crianças. Kiev estima até 6 mil moradores na cidade e nos arredores, com aproximadamente 1.700 na área urbana. Antes da invasão russa, em fevereiro de 2022, Oleshky tinha cerca de 24 mil habitantes.
A população enfrenta falta de alimentos, água e medicamentos. Segundo relatos de moradores à BBC, algumas pessoas cozinham plantas dos quintais para sobreviver. A cidade está sem eletricidade, gás e água há três anos, e um hospital funciona parcialmente, alguns dias por semana. A presença de minas e ataques também dificulta a circulação e a saída de civis.
A negociação começou depois que Melania tomou conhecimento da situação durante um evento em Nova York, à margem da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em setembro. Ela e um integrante de sua equipe recorreram a canais diplomáticos usados anteriormente para negociar a reunificação de crianças ucranianas e russas separadas durante a guerra. O papa Leão XIV também pediu uma pausa humanitária em conversas telefônicas com Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky.
A trégua em Kherson não interrompeu os combates em outras partes do país. Nesta terça-feira, ataques russos com mísseis balísticos atingiram Kiev, matando ao menos uma pessoa e ferindo 12, segundo autoridades ucranianas. Uma nova rodada de negociações entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos está prevista para novembro, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.