Davi Alcolumbre busca apoio para se reeleger presidente do Senado
A votação será em 1º de fevereiro de 2027 e terá voto secreto; Rogério Marinho quer que senadores de direita divulguem publicamente suas escolhas.
Resumo em 30 segundos
Davi Alcolumbre articula apoio para continuar na presidência do Senado a partir de fevereiro de 2027, enquanto Rogério Marinho ganha força como possível adversário. A eleição exige ao menos 41 votos entre os 81 senadores. Marinho defenderá que a direita revele seus votos, mas o grupo ainda diverge entre desafiar Alcolumbre e negociar espaço na Casa.
Davi Alcolumbre (União-AP) intensificou as articulações para tentar permanecer na presidência do Senado a partir de fevereiro de 2027. A eleição está prevista para 1º de fevereiro, na retomada dos trabalhos do Congresso, e o senador busca apoio de diferentes grupos políticos para assegurar votos.
Nas negociações, Alcolumbre oferece espaços na estrutura da Casa, como gabinetes, relatorias e comissões, e conversa sobre pautas de interesse de outros grupos. Entre elas estão a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, um possível indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a chamada lei da dosimetria, que poderia reduzir penas. A última é considerada a alternativa mais viável nas conversas, enquanto as demais enfrentam obstáculos políticos e jurídicos.
Alcolumbre conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da federação formada por União Brasil e PP. O anúncio da federação, porém, não levou todos os senadores e parlamentares eleitos dos partidos a declarar apoio. Ciro Nogueira e Antonio Rueda anunciaram o respaldo partidário, mas não votarão: Nogueira não foi reeleito senador, e Rueda é deputado.
Do outro lado, o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, ganhou força como possível candidato contra Alcolumbre. Ele afirmou que defenderá que os parlamentares de direita tornem públicos seus votos, numa tentativa de evitar que integrantes do grupo apoiem o atual presidente em segredo. “Vou defender. É difícil justificar em público o voto no Alcolumbre, né?”, disse Marinho.
A eleição é feita por voto secreto, e um candidato precisa reunir pelo menos 41 votos dos 81 senadores para vencer. Marinho e Alcolumbre afirmam contar com 48 votos cada, mas as estimativas incluem parlamentares que podem estar nas duas contagens. Os senadores do PL devem se reunir nesta quarta-feira (4) para definir a estratégia e podem formalizar a candidatura de Marinho.
A direita ampliou sua presença na Casa: o PL terá 29 senadores, entre eles 19 eleitos, e o Novo, três. Republicanos, PP, Podemos e PSDB somarão outros 15 parlamentares, a maioria eleita com apoio do bolsonarismo. Ainda assim, há divergência no grupo sobre enfrentar Alcolumbre ou negociar com ele para garantir espaço na estrutura do Senado.
A disputa também envolve o histórico recente de alianças. Em 2023, Marinho concorreu contra Rodrigo Pacheco e perdeu por 32 votos a 49; depois, o PL apoiou Alcolumbre em 2025 e obteve a vice-presidência do Senado. Integrantes da direita agora criticam Alcolumbre por não apoiar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal e por, segundo eles, ter favorecido pautas do governo Lula. O presidente do Senado, por sua vez, busca manter o apoio de parlamentares com quem construiu relações e negociou cargos e pautas durante sua gestão.