Daniel Vorcaro relata a Flávio Bolsonaro dificuldade em repasses
Mensagens de novembro de 2025 citam parcelas não liquidadas e recursos ligados ao filme Dark Horse, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
Resumo em 30 segundos
Daniel Vorcaro escreveu ao senador Flávio Bolsonaro que duas parcelas enviadas não haviam sido liquidadas e que tentaria fazer uma nova transferência. As mensagens, trocadas na véspera da prisão do então dono do Banco Master, foram associadas ao financiamento do filme Dark Horse. A Polícia Federal investiga suspeitas relacionadas aos repasses.
Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, enviou ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mensagens sobre dificuldades para transferir dinheiro um dia antes de ser preso, em novembro de 2025. O conteúdo, recuperado de registros do telefone de Vorcaro, sugere que a conversa tratava de recursos destinados ao filme “Dark Horse”, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
“Vai dar certo essa semana. O cara que mandei a grana não liquidou, e eu estou num momento difícil demais. Foram duas parcelas que mandei e ele não liquidou. Muito foda. Mas já organizei pra fazer de novo na terça”, escreveu Vorcaro. Em seguida, afirmou: “Tá muito difícil, mas vamos vencer. Se eu passar da semana que vem aí resolvemos tudo em seguida”.
A troca ocorreu em 16 de novembro de 2025. Antes, Flávio havia enviado duas imagens temporárias e escrito: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. A resposta final do senador foi “amém!”, às 15h53, segundo os registros de horário da conversa.
O material foi reconstruído a partir de arquivos e registros de atividade do celular de Vorcaro. Ele redigia as mensagens no bloco de notas do iPhone, fazia capturas de tela e as enviava pelo WhatsApp como imagens de visualização única, que desaparecem depois de abertas. Embora as imagens fossem apagadas do aplicativo, o aparelho mantinha temporariamente arquivos PDF das capturas; esses documentos foram cruzados com o registro de uso do telefone para estabelecer horários e conteúdo.
A Polícia Federal investiga Flávio por suspeita de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas relacionadas ao filme. Vorcaro havia se comprometido a destinar R$ 134 milhões à produção, divididos em 14 parcelas. Até sua prisão, sete repasses somavam R$ 67 milhões.
A conversa ocorreu em meio à crise do Banco Master. Vorcaro escreveu que duas parcelas já tinham sido enviadas, mas não haviam sido liquidadas, e mencionou que pretendia fazer uma nova transferência na terça-feira. A mensagem também dizia que ele enfrentava um “momento difícil” e precisava “passar da semana que vem”.
No mesmo período, Vorcaro trocou mensagens com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Em 15 de novembro, perguntou se poderia encontrá-lo no dia seguinte e escreveu que estava tentando resolver a situação. No domingo, 16 de novembro, informou que pousaria em Brasília às 14h20 e iria diretamente ao encontro. Mais tarde, pediu que Moraes tentasse falar com Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, para adiar uma ação por uma semana, alegando que o banco não quebraria nesse intervalo.
Vorcaro também citou Paulo Gonet, procurador-geral da República, em uma mensagem enviada a Moraes na véspera da prisão. As mensagens recuperadas mostram que ele buscava ajuda para impedir ou postergar a operação que resultou em sua detenção. O conteúdo das respostas de Moraes não foi recuperado.
As defesas de Flávio Bolsonaro e de Vorcaro não se manifestaram sobre as mensagens. A investigação sobre o financiamento do filme apura a origem dos recursos e a natureza dos repasses destinados à produção.