Alckmin cobra Flávio Bolsonaro por sigilo e R$ 134 milhões
Em ato de campanha em Campinas, o vice-presidente criticou as condições para abrir os sigilos e cobrou explicações sobre o pedido para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.
Resumo em 30 segundos
Geraldo Alckmin criticou Flávio Bolsonaro por condicionar a abertura de seus sigilos à divulgação de dados de pessoas próximas a Lula e de informações do governo. O vice-presidente também cobrou explicações sobre os R$ 134 milhões que o senador teria pedido a Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.
O vice-presidente Geraldo Alckmin criticou nesta quarta-feira, 21, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por condicionar a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico à divulgação de informações sobre pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em ato de campanha em Campinas, no interior de São Paulo, Alckmin cobrou explicações sobre os R$ 134 milhões que Flávio teria pedido ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“É dever de quem está na defesa da vida pública prestar contas à população, permanentemente”, disse Alckmin. Ele afirmou que candidatos a presidente devem prestar contas e declarou que defende que ocupantes do cargo não tenham sigilo bancário, fiscal ou telefônico.
A discussão ocorre após Lula apresentar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorização para abrir seus sigilos bancário, fiscal e eletrônico dos últimos oito anos, além dos registros de familiares. O presidente condicionou a medida a Flávio fazer o mesmo. Em resposta, o senador protocolou uma petição na Corte e autorizou o acesso aos próprios dados dos últimos 20 anos, mas estabeleceu condições para a divulgação.
Flávio pediu que a abertura inclua informações de pessoas ligadas a Lula e dados sobre despesas e agendas do governo. Entre as exigências estão os sigilos do ex-chefe de gabinete do presidente Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e informações sobre gastos do cartão corporativo da Presidência e despesas da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja. O senador também autorizou a divulgação de mensagens trocadas com Vorcaro e de dados de empresas das quais é sócio ou administrador.
A petição solicita ainda registros de reuniões de Lula com Vorcaro, de visitas do banqueiro e de intermediários a palácios presidenciais e de encontros do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega com integrantes do governo. Flávio argumentou que a proposta de Lula não seria suficiente para esclarecer suspeitas relacionadas a terceiros e pediu que eventual recusa do presidente às condições seja registrada no processo.
Alckmin classificou as condições do senador como uma desculpa e associou a falta de transparência aos R$ 134 milhões relacionados ao projeto do filme. O material fornecido não detalha quanto foi efetivamente recebido, nem informa se o valor foi arrecadado ou repassado por Vorcaro.
O vice-presidente participou em Campinas de um ato da campanha de Lula ao lado do ex-ministro Fernando Haddad, candidato derrotado ao governo paulista. Alckmin também defendeu a reeleição do presidente e disse que a democracia depende de diálogo e prestação de contas. Haddad afirmou que a disputa deve ser apertada e que a campanha busca alertar sobre o que considera estar em risco no país.
Para entender
- Tribunal Superior Eleitoral
- O TSE é o órgão máximo da Justiça Eleitoral brasileira. Entre suas atribuições estão organizar as eleições presidenciais e julgar questões eleitorais em âmbito nacional.